Política

Manifestantes vão às ruas pelo Brasil em protestos contra Bolsonaro

Atos pedem o impeachment do presidente, mais vacinas e empregos

Protesto contra Bolsonaro em SP. Foto: Nelson Almeida/AFP
Protesto contra Bolsonaro em SP. Foto: Nelson Almeida/AFP
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Manifestantes foram às ruas em várias cidades do País para protestar contra o governo de Jair Bolsonaro neste sábado 2. As manifestações ocorreram em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Salvador, Fortaleza, Belém, Campo Grande e Recife.

São Paulo

Em uma sequência de discursos do alto de um trio elétrico na Avenida Paulista, em São Paulo, lideranças políticas da esquerda como os ex-ministros Ciro Gomes (PDT) e Fernando Haddad (PT), além do coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto Guilherme Boulos (PSOL), ressaltaram a diversidade da oposição e defenderam sua unidade em prol do impeachment do presidente Jair Bolsonaro.

Ciro Gomes foi ao mesmo tempo vaiado e aplaudido durante a sua fala. O discurso incendiou a militância petista: muitas pessoas entoaram o nome do ex-presidente Lula (PT) e fizeram a letra L com as mãos. Outras atiraram objetos em direção ao presidenciável do PDT.

Em seu discurso, Ciro pediu o impeachment de Bolsonaro e defendeu a derrubada da “serpente bolsonarista” no País. O político também disse ser contra o “fascismo” e que a hora de Bolsonaro “está chegando”. “O povo brasileiro é muito maior que o fascismo de vermelho ou de verde e amarelo”, afirmou.

Ex-candidato à Prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos abriu o último bloco do ato na Avenida Paulista destacando a diversidade de pessoas e partidos presentes no ato. Segundo ele, a diversidade política presente hoje nas ruas inclui “gente, inclusive, com quem a gente tem muita diferença”, afirmou. Na sequência, disse que as diferenças são menores do que a união para “tirar Bolsonaro”.

Fernando Haddad, por sua vez, defendeu que o governo do presidente Bolsonaro chegue ao fim antes das eleições de 2022. “Não podemos perder de vista o que nós estamos fazendo aqui”, disse. “Estamos aqui porque o povo quer comer e Bolsonaro não deixa, o povo quer estudar e Bolsonaro não deixa, quer trabalhar e o governo Bolsonaro não deixa”, disse.

“Temos que buscar o sentimento comum e o sentimento comum é ‘fora, Bolsonaro'”, afirmou o deputado carioca Marcelo Freixo (PSB), que também discursou no ato. “As ruas estão pedindo a nossa unidade”, defendeu em outro momento.

Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, lideranças do PDT, PSOL, PSB, PT, PCB e PV discursaram na Cinelândia, no centro. Impeachment, preço dos combustíveis, fome, violência, desmonte de direitos e ataques às liberdades foram os eixos centrais das falas, que destacaram a superação das diferenças para derrotar Bolsonaro.

O pedetista Ciro Gomes, único presidenciável a comparecer ao ato no Rio, disse que é preciso pressionar o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL),para fazer o impeachment avançar. “Precisamos tirar Arthur Lira da inércia. Isso só vai acontecer com luta, com nosso povo organizado, deixando nossas diferenças para depois”, disse. Lira nunca decidiu sobre os mais de cem pedidos de impedimento do chefe do Executivo que chegaram à Casa.

A deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) criticou as fake news e ressaltou a importância da união para vencer Bolsonaro. “Eles querem mais uma vez impedir que a esquerda avance, e a nossa unidade é muito importante. Nós não somos todos iguais, temos as nossas diferenças, mas elas não podem ser maiores do que aturar um fascista no governo. É na rua que a gente derruba o Bolsonaro”, afirmou.

Belém

O ato em Belém reuniu milhares de pessoas nas ruas do centro da cidade na manhã deste sábado. A concentração ocorreu no Mercado de São Brás, às 8h, de onde os militantes seguiram em marcha rumo à Praça da República. Uma faixa com 60 metros de extensão e os dizeres “Pela Amazônia, Educação Pública e SUS: Não a Reforma Administrativa”, confeccionada pelos sindicatos ADUFPA, Sinditifes e Sinasefe, foi estendida durante ao longo da Avenida José Malcher, que ficou tomada pelos manifestantes.

O protesto teve participação expressiva do público, em comparação com as edições anteriores. Segundo estimativa dos órgãos de segurança pública, cerca de 7 mil pessoas compareceram ao ato. Além de exigir o cancelamento da Reforma Administrativa, representantes de centrais sindicais, sindicatos, movimentos sociais e populares e partidos da esquerda reafirmaram seu posicionamento em defesa da vida e pelo Fora Bolsonaro.

“As pessoas estão numa situação de fome, de miséria e não tem como seguir com um presidente que não prioriza o trabalhador a trabalhadora, pelo contrário, quer que o trabalhador pague por essa crise, quer aprovar a PEC 32, que acaba com os direitos do trabalhador e com os serviços públicos. Esse 2 de outubro é uma data importante, pois mostra a unidade das forças contra o governo Bolsonaro”, disse a vice-líder do PSOL, deputada Vivi Reis.

Campo Grande

O protesto contra o presidente Jair Bolsonaro reuniu representantes de sindicatos e partidos da oposição na Praça do Rádio Clube, em Campo Grande (MS), na manhã deste sábado. A Polícia Militar acompanhou todo trajeto da manifestação que percorreu as principais vias do centro da cidade, entre a avenida Afonso Pena, e as ruas 14 de Julho e Barão do Rio Branco. O ato foi encerrado no retorno à praça.


Recife

No Recife, os manifestantes se reuniram no centro da cidade com faixas e cartazes pedindo o impeachment do presidente. Eles também cobraram mais empregos e vacinas contra a Covid-19. A manifestação também é contra proposta de reforma administrativa do setor público.

Fortaleza e João Pessoa

Em Fortaleza, o encontro começou na Praça da Bandeira e seguiu até a Praça do Ferreira, ponto turístico e histórico da capital cearense. Já em João Pessoa, o protesto com caminhada e carreata terminou por volta do meio-dia no Ponto de Cem Réis, depois de ter partido do colégio Lyceu Paraibano, no Centro, e passado pelo Parque da Lagoa.

Vitória

No Espírito Santo, a manifestação contra o governo de Jair Bolsonaro se concentrou em frente ao campus da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em Vitória. A partir das 15h, os participantes seguiram em caminhada até a sede da Secretaria de Educação do Estado (Sedu), um trajeto de cerca de 4 quilômetros. Não há estimativa oficial de quantos manifestantes estiveram no ato. Entretanto, alguns organizadores avaliam que em torno de 3 mil pessoas compareceram à manifestação. Abaixo do esperado, entre 15 mil a 20 mil, mas maior do que os protestos do dia 12 de setembro. Naquela ocasião, uma carreata reuniu cerca de 80 veículos pelas ruas da capital capixaba. Entre as pautas da manifestação estão o impeachment do presidente Bolsonaro, redução no preço dos alimentos e combustíveis e apoio à CPI da Covid-19. “A cada fala desse cara, o Brasil afunda mais. Tudo está aumentando”, afirmou Rafael Mourão, 35 anos, advogado e um dos participantes do ato.

Natal

Em mais um ato a favor do impeachment do presidente Jair Bolsonaro, milhares de pessoas saíram às ruas de Natal. As bandeiras do PT eram maioria entre as erguidas pelos manifestantes. Os gritos “Fora Bolsonaro, presidente genocida, ladrão e corrupto” ecoavam pela Av. Hermes da Fonseca, uma das mais movimentadas da cidade, onde os manifestantes se concentraram.

Boa Vista 

A capital de Roraima, Boa Vista, registrou ato contra o presidente Jair Bolsonaro. A manifestação pedia, além do afastamento do presidente, a distribuição de mais vacinas contra a Covid-19 e a prisão de garimpeiros que atuam ilegalmente em terras indígenas. A concentração dos manifestantes ocorreu na Praça do Centro Cívico, no centro da capital, ponto de encontro conhecido pelos movimentos contrários ao governo federal. Os manifestantes eram seguidos por carro de som e carregavam faixas com críticas ao presidente.

Lisboa

A manifestação em Lisboa reuniu cerca de cem brasileiros na Praça Camões, no tradicional bairro do Chiado. Começou às 18h, para coincidir com a hora dos protestos no Brasil (às 13h). Com a maior flexibilização das regras de controle da Covid, por causa do avanço da vacinação e da queda nas mortes e internações, a manifestação foi mais animada, com batuque, música e muitos gritos de “Fora, Bolsonaro” e “Fora, genocida”. Os organizadores prometem voltar às ruas em 15 de novembro.

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