Política
Maioria do MDB reage a Lula e formaliza manifesto por neutralidade na eleição
Documento assinado por diretórios de 16 estados busca barrar a articulação para que o partido indique o vice na chapa presidencial
O plano do presidente Lula (PT) de atrair o MDB para sua candidatura à reeleição provocou uma resposta organizada no partido. A maioria dos diretórios estaduais emedebistas assinou um manifesto em defesa da neutralidade na disputa presidencial — ou seja, contra uma aliança nacional com o PT. O documento foi entregue nesta terça-feira 3 ao presidente da legenda, Baleia Rossi.
O movimento reúne dirigentes de 16 estados, além de nomes ligados à Fundação Ulysses Guimarães, e tem como objetivo demonstrar que a ala favorável a integrar a chapa do petista é minoritária. A articulação é liderada pelo vice-governador de Goiás, Daniel Vilela, que assumirá o governo estadual com a saída de Ronaldo Caiado (PSD) para disputar a Presidência. A informação foi antecipada pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmada por CartaCapital.
A mobilização ocorre após petistas admitirem a intenção de oferecer ao MDB a vaga de vice na chapa de reeleição. Entre os citados como possíveis opções estão o ministro dos Transportes, Renan Filho, e o governador do Pará, Helder Barbalho. A articulação conta com o apoio do senador Renan Calheiros (AL), que sustenta haver maioria favorável à aliança na convenção partidária prevista para junho.
O manifesto ainda foi endossado por outras lideranças, como os prefeitos Ricardo Nunes, de São Paulo, e Sebastião Melo, de Porto Alegre, além dos vice-governadores Gabriel Souza, do Rio Grande do Sul, e Ricardo Ferraço, do Espírito Santo. O presidente do diretório mineiro, Newton Cardoso Jr., também aderiu ao texto.
Os signatários defendem que o MDB mantenha independência formal na eleição presidencial, permitindo que cada diretório defina seus apoios conforme a realidade local. Na prática, a proposta abre espaço para que parte da legenda apoie Lula em estados do Nordeste e do Norte, enquanto outras seções caminhariam com candidaturas de centro-direita no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste.
O manifesto amplia o racha interno, em meio às negociações do Palácio do Planalto para consolidar uma coalizão mais ampla no centro. A discussão também lança dúvidas sobre o futuro do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), cujo papel na chapa ainda não foi confirmado para 2026.
Na noite desta terça, Lula se reúne com Alckmin e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), para discutir o palanque de São Paulo. A expectativa é que, depois dessa agenda, se defina o cargo que o vice-presidente disputará em outubro.
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