Mundo
Lula se reúne com Mauro Vieira para decidir se integra ‘Conselho de Paz’ de Trump para Gaza
O presidente avalia objetivos, composição e custos do novo órgão anunciado pelo norte-americano
O presidente Lula (PT) se reúne com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, nesta segunda-feira 19, para analisar o convite feito por Donald Trump para que o Brasil integre o recém-criado “Conselho da Paz” para Gaza.
Anunciado pelo presidente dos Estados Unidos como peça central da segunda fase de seu “plano de estabilização” da Faixa de Gaza, o grupo pretende reunir líderes mundiais para discutir governança, reconstrução, investimentos e formas de consolidar a paz no território palestino.
A decisão de Lula, no entanto, não deve ser imediata. De acordo com integrantes do governo, permanecem indefinidos elementos fundamentais do funcionamento do conselho, entre eles seu alcance político, critérios de tomada de decisão, responsabilidades de cada país e eventual articulação com iniciativas já existentes no âmbito da ONU.
Outro ponto sensível é o custo potencial da participação. Conforme divulgado pela AFP, o estatuto prevê que integrantes podem obter um assento vitalício mediante o pagamento de 1 bilhão de dólares. No governo Lula, há receio de que recursos significativos sejam direcionados a iniciativas em Gaza sem que haja garantia de alinhamento com as posições históricas do Brasil ou com parâmetros internacionais de reconstrução e mediação.
A lista de convidados divulgada por Washington inclui, além de Lula, líderes como Recep Tayyip Erdogan (Turquia), Javier Milei (Argentina), Santiago Peña (Paraguai), Abdel Fattah al-Sisi (Egito), o rei Abdullah II (Jordânia), Mark Carney (Canadá), Giorgia Meloni (Itália), Edi Rama (Albânia), Viktor Orbán (Hungria), Nicușor Dan (Romênia) e Nikos Christodoulides (Chipre). Segundo a imprensa estatal russa, Vladimir Putin também teria sido convidado.
A composição inicial do conselho já inclui figuras próximas a Trump e atores influentes no cenário internacional: o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, o secretário de Estado Marco Rubio, o enviado especial Steve Witkoff, o genro de Trump Jared Kushner, o executivo Marc Rowan, o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, e o diplomata búlgaro Nickolay Mladenov, indicado como Alto Representante para Gaza.
Nos bastidores, o Itamaraty defende consultar previamente países com posições próximas às do Brasil na defesa dos direitos do povo palestino e na busca de mecanismos de cessar-fogo e reconstrução sob supervisão internacional legítima.
Lula tem criticado com veemência a ofensiva israelense em Gaza, que já classificou como “genocídio”. O chanceler Mauro Vieira também condenou a “carnificina” e afirmou que as ações israelenses ultrapassaram “qualquer limite de proporcionalidade”. Neste contexto, o Planalto afirma estar aberto a iniciativas de paz, desde que respeitem o direito internacional e contem com participação efetiva dos palestinos.
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