Economia
Lula recebe banqueiros e empresários no Alvorada nesta segunda
O presidente tenta reduzir resistência à sua reeleição às vésperas da votação no Senado sobre o fim da escala 6×1
O presidente Lula (PT) recebe nesta segunda-feira 31 empresários e banqueiros para um jantar no Palácio da Alvorada, em Brasília, em uma tentativa de estreitar a relação com setores do empresariado que ainda demonstram resistência à sua candidatura à reeleição. O encontro ocorre em meio à ofensiva de Flávio Bolsonaro (PL) para conquistar apoio entre representantes do mercado financeiro e do setor produtivo.
A lista de convidados inclui Joesley Batista e Wesley Batista, da J&F; Rubens Ometto, da Cosan; José Seripieri Júnior, da Amil; Luiz Carlos Trabuco, presidente do Conselho de Administração do Bradesco; André Esteves, sócio sênior do BTG; e Milton Maluhy, do Itaú. Também são esperados o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro da Fazenda, Dario Durigan. O encontro deve reunir cerca de 20 pessoas.
A campanha de Lula pretende apresentar ao empresariado uma agenda econômica com medidas como a redução de supersalários no setor público, revisão do volume de emendas e eventual reforma administrativa. O presidente também deve defender a ampliação dos investimentos privados em áreas como minerais críticos e inteligência artificial.
O governo tenta, assim, responder a uma das principais resistências encontradas entre agentes econômicos. A dívida pública e a trajetória dos gastos estão entre as preocupações manifestadas pelo setor produtivo, enquanto Lula tem insistido que seu governo mantém compromisso com a responsabilidade fiscal.
Cenário
O jantar ocorre quatro dias depois de Flávio Bolsonaro ter se reunido, em São Paulo, com banqueiros, empresários e executivos do mercado financeiro para apresentar sua plataforma econômica. O movimento do candidato de extrema-direita passou a ser acompanhado com atenção pela campanha petista, que busca evitar que o senador amplie seu espaço junto ao empresariado.
A equipe de Lula afirma que o jantar desta segunda já estava sendo planejado antes do encontro de Flávio. A iniciativa, porém, ganhou peso diante da disputa pelo apoio de um segmento que tradicionalmente tem influência sobre o debate econômico e que, segundo as informações reunidas pela campanha, ainda mantém ressalvas em relação à candidatura petista.
A tentativa de aproximação também ocorre em meio às vésperas de outra discussão que envolve diretamente os interesses do setor produtivo. Na quarta-feira 2, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado deve analisar a PEC que acaba com a escala 6×1 e reduz progressivamente a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial. O relator, senador Omar Aziz (PSD-AM), apresentou parecer favorável e manteve o texto aprovado pela Câmara.
A proposta está entre as prioridades definidas por Lula em articulação com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para o esforço concentrado do Congresso entre 31 de agosto e 4 de setembro.
A PEC ainda precisará passar pelo plenário do Senado, em dois turnos, caso seja aprovada na CCJ. Para avançar nessa etapa, são necessários ao menos 49 votos favoráveis
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