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Lula: "Quem acha que é o fim do Lula vai quebrar a cara"

por Redação — publicado 13/07/2017 12h47, última modificação 13/07/2017 13h46
Em pronunciamento após ser condenado por Moro, ex-presidente reafirma desejo de ser candidato em 2018 e promete "colocar o pobre no orçamento outra vez"
Paulo Pinto / AGPT
Lula

Lula entre a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e o escritor Raduan Nassar

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira 13 que a sentença dada pelo juiz Sergio Moro, que o condenou a nove anos e meio de prisão no caso do tríplex, é uma tentativa de tirá-lo da disputa pela Presidência nas eleições de 2018.

“Aqueles que prepararam a mentira do golpe contra a Dilma não iam ficar com os braços cruzados. Se o Lula pudesse ser candidato, o golpe não fechava”, disse o petista em pronunciamento no diretório do PT em São Paulo. “Eu sinto que há uma tentativa de me tirar do jogo político”, afirmou.

Lula foi condenado por supostamente se beneficiar de recursos desviados para a compra e a reforma do imóvel no Guarujá. A pena é de seis anos de reclusão por corrupção passiva e três anos e meio por lavagem de dinheiro.

“Se alguém pensa que, com essa sentença, vai me tirar do jogo, podem saber que eu estou no jogo”, disse Lula. Ao final de seu discurso, o ex-presidente anunciou que reivindicava ao PT o direito de se colocar como postulante a candidato à Presidência em 2018 e que irá brigar em três frentes para que possa seguir com a candidatura: na Justiça; dentro do PT, para ter o apoio do partido; e com a sociedade. “Quem acha que é o fim do Lula vai quebrar a cara. Na política, só quem tem o direito de decretar meu fim é o povo brasileiro", disse.

Ao anunciar sua candidatura, Lula denunciou o desmonte da Petrobras, a reforma trabalhista e outras medidas que foram tomadas pelo governo de Michel Temer. E prometeu "colocar o pobre no orçamento outra vez". "Senhores da casa-grande, permitam que alguém da senzala faça o que vocês não têm competência de fazer neste País", afirmou.

Pesquisa Datafolha divulgada em 26 de junho apontou Lula como o nome mais forte para a disputa presidencial de 2018. Em todos os cenários em que apareceu, o petista tem ao menos 29% das intenções de voto, sempre com o dobro do segundo colocado. 

Em simulações de segundo turno, Lula teria vantagens significativas contra os tucanos Geraldo Alckmin e João Doria e contra o deputado Jair Bolsonaro (PSC). A ex-senadora Marina Silva (Rede) e o juiz Sergio Moro aparecem empatados com Lula, sendo que o magistrado surge numericamente à frente.

Acusação a Moro

Lula iniciou seu discurso dizendo que Moro ficou refém do "massacre" promovido contra ele pelos meios de comunicação. O ex-presidente citou artigo que publicou no dia 16 de outubro de 2016, quando previu que o desfecho do processo seria a sua condenação. “Estão condenados a me condenar. E devem avaliar que, se não me prenderem, serão eles os desmoralizados perante a opinião pública.”

“Eu acreditava que esse processo iria terminar do jeito que terminou porque eu prestei vários depoimentos e era visível que o que menos importava era o que eu falava. Eles já estavam com a condenação pronta”, continuou Lula.

A defesa do ex-presidente argumenta que o tríplex nunca esteve no nome do Lula, e sim da OAS, e que as provas de inocência foram desprezadas. “A única prova que existe nesse processo é a prova da minha inocência. Se alguém tiver uma prova contra mim, diga. Mande para a imprensa, para a Suprema Corte. Eu ficaria mais feliz se fosse condenado com base em provas”, afirmou.

“O que me deixa indignado, mas sem perder a ternura, é perceber que estou sendo vítima de um grupo de pessoas que contou a primeira mentira e continua mentindo para justificar a primeira mentira", disse Lula. “Não entendo como alguém pode escrever quase 300 páginas para não dizer absolutamente nada de prova contra a pessoa que quer condenar”.

Os advogados afirmam que, de um total de 962 parágrafos da sentença, apenas cinco foram dedicados à prova que a defesa fez sobre a inocência.