Lula pede a jovens ‘revolução comportamental’ em 2022: ‘Tem que tirar o título para votar’

Petista diz que eleitorado progressista deve melhorar comunicação com a população mais pobre: 'Me pergunto onde estamos errando'

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante evento com movimentos de periferia em São Paulo. Foto: Reprodução

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante evento com movimentos de periferia em São Paulo. Foto: Reprodução

Política

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu a jovens de 16 e 17 anos que tirem o título de eleitor para votar nas eleições de 2022, durante discurso em movimentos de periferia em São Paulo, neste sábado 25.

 

 

O petista, que deve ser o principal adversário de Jair Bolsonaro na próxima corrida presidencial, pediu que os seus eleitores façam uma “revolução comportamental” e escolham parlamentares que sejam “progressistas”.

“É preciso que a gente tenha muita responsabilidade. Vai ser um ano que não é um ano de eleição. É um ano de uma revolução comportamental. Nós precisamos dizer para o povo o seguinte: ou ele conserta esse País, ou ele vai amargar o fim da vida. E temos que dizer isso para a juventude”, disse o ex-presidente.

Lula continuou: “A juventude que é mais rebelde, que mais protesta, que mais grita, que às vezes parece mais radical, que ela tem que tirar o título para votar. Esse é um discurso que nós temos que fazer, companheiros e companheiras. É dizer para o jovem: ô cara, tira o seu título. Nós já aprovamos para você votar a partir dos 16 anos. Você acha que ninguém presta? Então seja você o candidato”.

Na sequência, Lula disse que, em 2022, pretende “falar muito de eleição para deputado estadual, deputado federal e senador da República” para que haja base no Congresso Nacional que possibilite a aprovação de alguns projetos.

“Não é só votar no presidente não. Você tem que votar no presidente, votar no senador, votar no deputado, em pessoas que pensam de forma progressista”, disse o petista.

Lula também se queixou de insuficiências nas estratégias de comunicação da esquerda com a população mais pobre, uma vez que esse eleitorado ainda não foi convencido a votar em figuras ao menos da mesma classe social.

“Eu compreendo por que rico vota em rico. E acho que ele está certo. Ele está defendendo a sua classe, as pessoas que vão fazer o que ele acredita que tem que ser feito: privatizar Petrobras, privatizar Eletrobras, privatizar Correios, vender Banco do Brasil, vender BR. Agora, quando eu passo na casa de uma senhora pobre, com dificuldade de ter as coisas para fazer o almoço ou a janta, e eu vejo um cartaz de um rico, eu fico me perguntando onde é que nós estamos errando”, disse Lula.

“Não estamos conseguindo persuadir a senhora a votar em uma pessoa igual à senhora, pelo menos. Ou uma pessoa que tenha compromisso”, prosseguiu. “Muitas vezes nós falamos pouco de política. Criticamos muito e falamos pouco. Como a gente vai fazer para ter uma maioria de negros no Congresso Nacional, já que a sociedade brasileira é negra? Não é apenas gritando que a gente é vítima, porque isso a historiografia já está escrevendo há muito tempo. Nós vamos quando conseguirmos convencer as pessoas que nós temos competência de fazer um Brasil diferente do que eles fizeram.”

 

O Brasil feito pelo povo negro certamente será melhor do que o Brasil feito pelos escravistas durante tantos anos, diz Lula.

 

O ex-presidente estava acompanhado de Fernando Haddad (PT), lançado pelo partido como pré-candidato ao governo do estado de São Paulo, para possivelmente disputar contra Geraldo Alckmin (PSDB). A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, também estava no evento.

Lula aparece na liderança de todas as pesquisas eleitorais para 2022. Na pesquisa Ipec, divulgada na quarta-feira 22, o petista apresentou mais 20 pontos de vantagem sobre Bolsonaro, com condições para vencer a disputa já no 1º turno. O principal candidato da 3ª via é Ciro Gomes (PDT).

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