Lula: ‘O País caminha para disputa entre o PT, com os democráticos, e Bolsonaro, com os fascistas’

O petista não acredita em avanço da chamada 3ª via: 'A não ser que haja mudança brusca no quadro político'

O ex-presidente Lula. Foto: Reprodução/Rádio Sagres

O ex-presidente Lula. Foto: Reprodução/Rádio Sagres

Política

O ex-presidente Lula considera baixas as possibilidades de crescimento da chamada 3ª via para as eleições de 2022, salvo diante de uma “mudança brusca” no cenário. Assim, a tendência é de que a disputa se concentre no PT, como representante dos setores democráticos, e em Jair Bolsonaro, como símbolo dos que não acreditam na democracia. A avaliação foi feita em entrevista à Rádio Sagres, de Goiás, nesta sexta-feira 17.

 

 

Apesar dos prognósticos, o petista ressaltou que as eleições ainda estão distantes e muitos fatores podem alterar a percepção da sociedade manifestada pelas pesquisas de intenção de voto. “É uma maratona: se você tentar correr muito no começo, pode ficar cansado e não chegar no final”.

Levantamento Datafolha realizado entre 13 e 15 de setembro mostra que o petista mantém uma folgada liderança na corrida rumo à Presidência.  No 1º turno, Lula tem 44% das intenções de voto, contra 26% de Bolsonaro e 9% de Ciro Gomes. No 2º, Lula venceria qualquer adversário – contra Bolsonaro, o triunfo se daria por 56% a 31%.

“É importante a gente ter em conta que parece que o Bolsonaro vai ficar oscilando nesse percentual. Há pouca perspectiva de ele ter um crescimento muito grande e possivelmente também não tem a perspectiva de decrescer muito. Daí a dificuldade da chamada 3ª via”, explicou Lula. “Ela, para surgir, tem de me derrotar ou derrotar o Bolsonaro no 1º turno. Acho que não há espaço para crescimento da 3ª via se não houver uma mudança brusca no quadro político nacional”.

Na avaliação do ex-presidente, o País caminha “para uma disputa política entre o PT, representando os setores democráticos da sociedade, e o Bolsonaro, representando os setores fascistas da sociedade, os negacionistas, os que não acreditam em democracia e pluralidade, que não respeitam as mulheres, os negros, o movimento sindical, a preservação ambiental”.

Lula também justificou a decisão do PT de não participar dos atos pelo impeachment de Bolsonaro organizados por movimentos de direita, como o MBL, no último domingo 12. “Nós não fomos ao ato do MBL porque não era um ato convocado para defender a democracia. Trabalharam até a semana da convocatória com ‘nem Bolsonaro, nem Lula’. Como o PT poderia participar de um ato desse?”, questionou. “Nunca acreditei na capacidade de mobilização do MBL. O MBL foi uma coisa que surgiu no ápice da campanha pelo impeachment da presidenta Dilma, quando os meios de comunicação convocavam aqueles atos de forma aberta, coisa que eu jamais tinha visto na política brasileira”.

Sobre o clima político pós-7 de Setembro, Lula declarou não acreditar na sinceridade da nota “feita por Temer para Bolsonaro”. Para o petista, o texto em que o presidente recua das ameaças golpistas proferidas no Dia da Independência demonstra apenas sua fragilidade.

 

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