Política
Lula não questionou investigação sobre o PCC, mas um ‘conjunto de coincidências’, diz ministro
Segundo Paulo Pimenta, ‘os fatos que acabam trazendo de volta toda uma memória sobre o método que foi utilizado contra ele’
O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Paulo Pimenta, afirmou nesta quinta-feira 23 que o presidente Lula (PT) não questionou a investigação da Polícia Federal sobre um grupo ligado ao PCC que planejava homicídios e sequestros contra autoridades e servidores públicos. Um dos alvos seria o ex-juiz e hoje senador Sergio Moro (União-PR).
No início da tarde, Lula sugeriu que o plano criminoso poderia ser uma “armação” de Moro. A declaração foi concedida durante visita ao Complexo Naval de Itaguaí, no Rio de Janeiro.
“Na minha opinião, a fala do presidente em nenhum momento questiona a investigação, até porque foi conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério da Justiça”, disse Pimenta a jornalistas. “Mas acho que o objeto do questionamento foi o conjunto de coincidências, fatos que acabam trazendo de volta toda uma memória sobre o método que foi utilizado contra ele. Muitas vezes, são os mesmos personagens.”
Trata-se de uma provável referência ao fato de a Operação Sequaz, deflagrada na quarta-feira 22, ter sido autorizada pela juíza Gabriela Hardt, que substituiu Sergio Moro na 13ª Vara Federal de Curitiba quando o ex-juiz aceitou o convite do então presidente eleito Jair Bolsonaro para assumir o Ministério da Justiça e da Segurança Pública. Alinhados na condução de processos da Lava Jato, os dois magistrados mantinham proximidade com os membros da força-tarefa em Curitiba, como demonstrou a série de reportagens conhecida como Vaza Jato.
No Rio, Lula foi questionado sobre a operação da PF. “Eu não vou falar, porque acho que é mais uma armação do Moro. Eu vou descobrir o que aconteceu, porque é visível que é uma armação do Moro”, disse o presidente. “Eu vou pesquisar e saber o porquê da sentença. Parece que a juíza não estava nem em atividade quando deu o parecer para ele. Mas isso a gente vai esperar.”
Horas depois, em entrevista à CNN Brasil, Moro acusou Lula de “incentivar violência” por “fazer pouco caso” do plano criminoso.
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