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Lula forte em 2018. É o 'timing' para prendê-lo?

por Rodrigo Martins publicado 15/02/2017 13h21, última modificação 17/02/2017 15h27
Como alertou o cientista político Marcos Coimbra, a última carta da coalizão que derrubou Dilma é levar disputa presidencial para o tapetão
Douglas Magno/AFP
Lula

Lula lidera em todos os cenários das eleições de 2018, segundo pesquisa da CNT/MDA

"Perdemos o timing" para prender Lula, reconheceu, desapontado, o delegado Maurício Moscardi Grillo, coordenador da Operação Lava Jato na Polícia Federal, em entrevista à revista Veja no início de janeiro. Duas semanas depois, enquanto a ex-primeira dama Marisa Letícia padecia de um Acidente Vascular Cerebral no hospital Sírio-Libanês, o delegado federal Igor Romário de Paula tratou de corrigir o colega: "Não acho que a gente perdeu o timing. Esse timing pode ser daqui a 30 dias, daqui a 60 dias", disse, em entrevista ao portal UOL, do Grupo Folha. 

Ao que parece o timing chegou: Lula lidera em todos os cenários na corrida presidencial de 2018, inclusive no segundo turno, de acordo com a mais recente pesquisa CNT/MDA, divulgada nesta quarta-feira 15, com 2.002 eleitores consultados. Para complicar ainda mais o cenário, a tradicional oposição aos governos petistas, capitaneada pelo PSDB, vê-se ameaçada diante da emergência do ultra-direitista Jair Bolsonaro, em segundo lugar nas simulações de primeiro turno, tanto nas respostas estimuladas quanto nas espontâneas. 

Não é tudo. Um dia antes, o jornal Valor apresentou uma pesquisa qualitativa feita pela Ideia Inteligência, a indicar que a "saudade de Lula" será um forte componente eleitoral em 2018. A empresa selecionou uma amostra de 10 eleitores das classes C e D de regiões periféricas de São Paulo, que não são filiados ou militantes do PT. 

Desse grupo, apenas um eleitor manifestou-se contra o impeachment de Dilma Rousseff, mas a maioria declarou a intenção de votar no ex-presidente petista. Segundo os pesquisadores, a percepção é embalada por um "forte apelo emocional" e também por um sentimento de "gratidão extrema, ligada à sensação de boa situação financeira (...) que marcou os governos Lula na memória dos entrevistados". 

Como alertou o cientista político Marcos Coimbra, em recente artigo publicado em CartaCapital, a última carta da coalizão que derrubou Dilma é levar 2018 para o tapetão, fora da disputa democrática. "Como não conseguem derrotá-lo, perseguem Lula e procuram impedir sua candidatura na próxima eleição. Com julgamentos enviesados, acusações baseadas em 'convicções' e fanfarronices de delegados", alerta. 

A julgar pelo comportamento do Judiciário brasileiro, disposto a conduzir Lula coercitivamente antes de chamá-lo a depor, de suspender sua nomeação como ministro de Dilma quando nem sequer era formalmente investigado, de divulgar conversas interceptadas fora do prazo autorizado pela Justiça – e, portanto, ilegais, como reconheceu mais tarde o falecido ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo -, é hora mesmo de Lula colocar as barbas de molho. É uma questão de timing.