Política

Lula e Flávio Bolsonaro sobem o tom nas redes com IA, memes e ataques diretos

Disputa na pré-campanha já segue a lógica de campanha, ainda sem as restrições legais do TSE

Lula e Flávio Bolsonaro sobem o tom nas redes com IA, memes e ataques diretos
Lula e Flávio Bolsonaro sobem o tom nas redes com IA, memes e ataques diretos
(Reprodução/X/Instagram)
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Eleições 2026

A disputa entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entrou, nas últimas semanas, em uma fase mais organizada e agressiva no ambiente digital. Desde março, movimentos das duas pré-campanhas mostram uma combinação de ataques diretos, uso de inteligência artificial e tentativa de ampliar alcance nas redes sociais.

Na prática, as pré-campanhas já operam em lógica de campanha: produção contínua de peças, ataques personalizados e disputa permanente por narrativa. A diferença é que, por ora, o confronto ainda ocorre sem as amarras formais do período eleitoral.

A escalada mais visível começou em meados de março, quando aliados de Flávio divulgaram um vídeo produzido com inteligência artificial associando Lula e seu filho, Fábio Luís, a suspeitas envolvendo o INSS. A peça foi publicada dias após o PT formalizar internamente uma mudança de estratégia, passando a tratar o senador como alvo prioritário e defendendo uma postura mais combativa.

A partir daí, as duas campanhas passaram a atuar de forma mais coordenada no ambiente digital.

No início de abril, o entorno de Lula identificou que a presença do petista nas redes estava aquém da capacidade de mobilização do bolsonarismo. A resposta foi acelerar a montagem de uma estrutura para distribuir conteúdo de forma mais organizada em plataformas como WhatsApp, Instagram e TikTok, com o objetivo de aumentar o alcance e reagir com mais rapidez aos ataques.

Essa reorganização veio acompanhada de investimento em impulsionamento. Em abril, o PT destinou cerca de 378 mil reais para promover conteúdos nas redes sociais, segundo dados de anúncios digitais. Parte relevante dessas peças foi voltada a ataques diretos a Flávio Bolsonaro, associando o senador a episódios como o caso do Banco Master, críticas ao preço dos combustíveis e acusações, além de explorar sua ligação óbvia com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Do outro lado, a estratégia de Flávio tem seguido um caminho diferente. O senador aposta em conteúdos de fácil circulação e alto engajamento, incorporando “humor”, linguagem informal e elementos virais. A ideia é ampliar o alcance para além do público já politizado e reduzir resistências à sua imagem.

Esse tipo de abordagem, até aqui, tem sido melhor absorvido por aliados de Lula. No último dia 13, um vídeo com uso de inteligência artificial publicado por sua neta, Bia Lula, ironizou Flávio e retomou o episódio das “rachadinhas”, em linha com a estratégia petista de explorar fatos já conhecidos para reforçar críticas ao adversário.

A página Lulaverso, criada por estrategistas digitais da campanha do petista anos atrás, publicou no Instagram um vídeo que se apropria das insólitas “novelas de frutas” para defender a aprovação da escala 6×1. No vídeo, um casal composto por um morango vermelho e um abacate de camisa verde e amarela lamenta a falta de tempo para a vida doméstica. Em determinado momento, o marido diz: “o Flávio Bananaro disse que isso pode quebrar o país.” Fenômeno global, as tais frutas falantes encenam tramas curtas, melodramáticas e propositalmente absurdas para capturar a atenção em redes sociais.

O avanço do senador nas pesquisas de intenção de voto elevou a pressão sobre a campanha de Lula para reagir. Internamente, aliados passaram a defender menos cautela e mais enfrentamento direto, tanto no conteúdo quanto na forma.

A guerra digital, impulsionada pelo uso crescente de IA, já começou a esbarrar na Justiça Eleitoral, que tende a impor limites a esse tipo de estratégia. Partidos de esquerda já acionaram o TSE contra publicações atribuídas a Flávio e aliados, sob a alegação de uso irregular da tecnologia e disseminação de desinformação.

Ainda assim, a tendência, segundo interlocutores dos dois lados, é de intensificação do confronto nesta arena.

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