Política

Lula é confirmado como candidato à reeleição: ‘A gente vai ter que ser mais ousado’

O presidente vai concorrer pela sétima vez ao Planalto, em busca de um inédito quarto mandato

Lula é confirmado como candidato à reeleição: ‘A gente vai ter que ser mais ousado’
Lula é confirmado como candidato à reeleição: ‘A gente vai ter que ser mais ousado’
Janja, Lula, Geraldo Alckmin, Lu Alckmin, Fernando Haddad e Ana Estela Haddad no evento de confirmação da candidatura do presidente à reeleição – foto: Ricardo Stuckert
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Agora é oficial: Lula é candidato à reeleição. A indicação foi formalizada na convenção nacional do PT, neste domingo 2. Derrotado em 1989, 1994 e 1998, ele tenta uma quarta vitória na corrida ao Planalto, depois de 2002, 2006 e 2022.

Se for eleito, Lula vai conquistar um inédito quarto mandato à frente da presidência. Se eleito, vai tomar posse aos 81 anos. Quando assumiu o cargo em 2023, tinha 77 – e, na ocasião, já foi o mais velho a chegar à presidência na história do País.

Em meio às idas e vindas na relação com o Congresso Nacional neste terceiro mandato, Lula deixou claro que vai brigar durante a campanha para que aliados sejam eleitos e ele tenha mais apoio no Senado e na Câmara, caso reeleito.

“Minha quarta presidência é para mudar muita coisa nesse País. E vai ter briga com emenda parlamentar. Vai ter briga com o poder legislativo”, bradou. “Vai ter que ter briga democrática para mudar esse País. A gente vai ter que ser mais ousado”.

“A gente vai ter que cuidar de corrigir o que não fizemos”, reconheceu. “Nem sempre quando a gente acerta, a gente é reconhecido. Mas quando a gente erra, a gente toma porrada que não acaba mais”.

Ao falar pela primeira vez como candidato à reeleição, Lula disse sua campanha vai buscar mostrar as conquistas e feitos dos últimos quatro anos.

“Somos a única candidatura que não tem que contar mentira. Não temos que inventar nada para dizer para o povo. O que leva um governo a ganhar as eleições é se o legado dele for merecedor de confiança e de respeito. Quem fez, pode prometer mais”, apontou. “Não fizemos tudo, mas vamos caminhando”.

Assim como aconteceu quatro anos atrás, o principal adversário do petista carrega o sobrenome Bolsonaro. Em 2022, ele derrotou o então incumbente Jair. Agora, enfrentará um dos filhos dele, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). E, mais uma vez, Lula terá como companheiro de chapa o atual vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB).

“Nós estivemos aqui quatro anos atrás para salvar a democracia, que estava em risco. Se os nossos adversários, perdendo as eleições, tentaram um golpe de Estado; tinham como projeto matar aqueles que foram eleitos pelo povo, imagine se eles tivessem vencido as eleições. Aliás, quem não acredita no voto popular não deveria nem ser candidato a presidente”, declarou Alckmin, em relação à extrema-direita.

“A descrença nas urnas é cheiro, fumaça de derrota. A urna eletrônica é tão competente que não aceita voto de argentino e americano”, prosseguiu o vice.

Além do PT e do PSB, a aliança em torno do nome de Lula terá outros cinco partidos do campo progressista: PCdoB, PDT, Psol, PV e Rede. Em 2022, o PDT lançou candidato próprio (Ciro Gomes). Na ocasião, o petista tinha também o apoio de Solidariedade, Avante, Agir e do hoje extinto Pros.

Apesar da aliança completamente à esquerda, Lula deixou claro que vai buscar o voto dos eleitores indecisos independentes. Em um cenário polarizado, essas pessoas podem definir a disputa.

“Tem cara que é bolsonarista, mas tem um monte de gente que não é, e nós precisamos convencer. Para que serve o dom da palavra? Não é pra criar slogan”, destacou.

Líder das principais pesquisas, o presidente afirmou que a disputa ainda não começou. “Não fiquem preocupados com pesquisa. Nem se estiver bom, nem se não estiver bom. A guerra não começou. O campeonato não começou. Ele vai começar agora”.

A convenção

O evento que confirmou a nomeação de Lula, apresentado pelo ator Aílton Graça, lotou o Expo Center Norte, centro de convenções na cidade de São Paulo. Em meio a vídeos que exaltaram os feitos petistas na Presidência, apresentações de artistas e discursos de líderes políticos, o grande frisson foi quando a estrela da festa finalmente apareceu, por volta das 11h40.

Sob os gritos de “Lula guerreiro do povo brasileiro”, o presidente subiu ao palco acompanhado da primeira-dama, Janja; de Alckmin e do candidato petista ao governo do estado de São Paulo Fernando Haddad – ambos também estavam junto das esposas, Lu Alckmin e Ana Estela Haddad.

“Eu fui surpreendido com a grandiosidade e a criatividade de quem organizou esse evento”, disse, antes de fazer um mea culpa. “Não é possível que no principal evento de nossa campanha a gente não tenha colocado uma mulher para falar”, disse Lula, antes de entregar o microfone para Janja. “A gente precisa estar todo dia se reafirmando”, disse a primeira-dama às mulheres presentes.

Em seu discurso, Lula reforçou a defesa dos direitos das mulheres e mostrou que buscará o voto delas. “O cara vai ter que escolher: ou ele vota em mim, ou bate na mulher. Se bate na mulher, não precisa votar em mim”.

A ex-ministra do Planejamento Simone Tebet (PSB), que vai concorrer ao Senado por São Paulo, lembrou que Lula desponta como favorito entre as mulheres no embate com Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário, segundo as pesquisas.

“O lado de lá é a extrema-direita. É aquele que quer tirar e eliminar direitos já conquistados, que acha que lugar de mulher é só dentro de casa, que discute, até, o direito ao voto feminino. É tal pai, tal filho. Golpista, sempre golpista”, afirmou Tebet.

“Em um momento de mar revolto, você precisa de um marujo experiente. Uma pessoa que sabe controlar o navio e acionar os instrumentos necessários para defender o Brasil e preservar nossa soberania. Não tem ninguém no mundo, hoje, que consiga fazer isso melhor que o presidente Lula”, defendeu Haddad.

O presidente do PT, Edinho Silva, prometeu uma campanha com grande capilaridade, buscando dar visibilidade a projetos e realizações deste terceiro mandato do presidente.

“Nós vamos fazer a disputa nos territórios. Vamos identificar em cada cidade e cada estado do Brasil aquilo que o governo do presidente Lula fez para mudar a vida do povo brasileiro. É o governo com maior volume de entregas da história da República. O povo brasileiro tem que saber o que o governo do presidente Lula fez e ainda está fazendo”, afirmou.

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