Lula diz que PT errou em 2014: “Colhemos o que plantamos”

Em entrevista a CartaCapital, ex-presidente disse que gostaria de ter se assumido candidato em corrida que reelegeu Dilma Rousseff

(Foto: Ricardo Stuckert)

(Foto: Ricardo Stuckert)

Política

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) admitiu que errou ao não assumir que era candidato à presidência da República em 2014, ano em que a colega de partido Dilma Rousseff foi lançada à disputa. A declaração ocorreu em entrevista a CartaCapital, na quarta-feira 4, em Curitiba (PR), onde o petista está preso.

Ele havia sido perguntado se deveria ter sido o ministro-chefe da Casa Civil desde o início do segundo mandato de Dilma, em vez de tentar ocupar o cargo tarde demais. Em 16 de março de 2016, o Palácio do Planalto anunciou que Lula comandaria a pasta, no entanto, a nomeação foi impedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Lula argumentou que aceitou o cargo mesmo sem achar conveniente e disse que deveria ter se assumido como postulante à Presidência em 2014.

“No Palácio do Planalto e em nenhum palácio do mundo cabem dois presidentes, não é possível. É preciso saber quais foram as circunstâncias que eu, naquela época, depois da uma hora da manhã, disse ‘sim’. Mas eu não achava conveniente politicamente, porque eu estaria entrando como o salvador da pátria”, afirmou. “Mas também não vamos discutir isso agora, é desagradável. Se eu tivesse que citar um erro cometido por mim, é o de não ter assumido que eu era candidato em 2014 e não assumi porque gosto da Dilma, respeito ela e, democraticamente, ela tinha o direito de ser candidata”, afirmou.

Em seguida, o ex-presidente declarou que ele e seu partido erraram no período político em que Dilma estava no poder.

“O que eu acho é que nós não fizemos política corretamente. A Dilma, o PT, eu, todo mundo, erramos na política e colhemos o que plantamos, com a direita ensandecida querendo destruir o pouco que nós tínhamos conquistado de social nesse país”, disse.

Em outro trecho da entrevista, Lula sinalizou que, se inocentado, pode concorrer às eleições presidenciais pelo seu partido em 2022.

“Eu não sei. Preciso sair daqui, saber como é que estou, como estão as forças políticas. Obviamente que tem um monte de gente de 40, 50, 60 anos que pode ser candidato e eu me contentaria em ser cabo eleitoral, não tem problema. Agora, se não tiver ninguém capaz de derrotar essa podridão da elite brasileira que governa esse país, pode ficar certo que o Lula estará no jogo”, afirmou.

Lula está preso na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba desde 7 de abril de 2018, por corrupção e lavagem de dinheiro no processo que envolve o triplex do Guarujá. O ex-presidente foi condenado, pela primeira vez, em junho de 2016 pela Operação Lava Jato. Sua pena é de 8 anos e 10 meses, de acordo com decisão de ministros da 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

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Repórter do site de CartaCapital

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