Mundo
Lula diz que Israel tem de parar com ‘vitimismo’: ‘O que acontece em Gaza é um genocídio’
A atual campanha militar israelense matou mais de 54 mil palestinos, majoritariamente civis
O presidente Lula (PT) voltou nesta terça-feira 3 a classificar de “genocídio” a ofensiva de Israel contra a Faixa de Gaza e afirmou que o governo de Benjamin Netanyahu deve “parar com o vitimismo”, em referência a alegações de antissemitismo quando autoridades criticam a incursão militar de Tel Aviv.
Na última segunda-feira 2, a embaixada israelense no Brasil divulgou uma nota na qual, sem citar Lula, alegou que autoridades internacionais “compram mentiras” do Hamas. Essas inverdades, segundo a representação, “estão prejudicando israelenses e judeus no Brasil e no mundo todo”.
Em outro ponto do documento, a embaixada diz que o Hamas dissemina fake news para “alimentar o antissemitismo no mundo”.
“Vem dizer que é antissemitismo? Precisa parar com esse vitimismo”, disse Lula em uma entrevista coletiva em Brasília. “O que está acontecendo na Faixa de Gaza é um genocídio, a morte de mulheres e crianças que não participam de guerra. É a decisão de um governo que nem o povo judeu quer.”
Lula ainda disse que um presidente da República não responde a uma embaixada e reforçou que não considera aceitável um Exército, “a pretexto de encontrar alguém, matar mulheres e crianças”.
“É por conta do que o povo judeu sofreu na sua história que o governo de Israel deveria ter bom senso e humanismo no trato com o povo palestino”, prosseguiu. “Eles se comportam como se o povo palestino fosse de cidadãos de segunda classe. Só haverá paz quando a gente tiver a consciência de que o palestino tem direito ao seu Estado.”
Os ataques israelenses contra o território palestino não cessam. A Defesa Civil de Gaza relatou nesta terça-feira pelo menos 27 mortos por disparos perto de um centro de distribuição de ajuda humanitária no sul do enclave.
O ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 causou as mortes de 1.218 pessoas em Israel, a maioria civis. Desde então, a campanha militar israelense matou pelo menos 54.510 palestinos, majoritariamente civis, segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza, considerados confiáveis pela ONU.
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