Política

Lula diz que política está ‘mercantilizada’ e critica emendas: ‘sequestro das contas públicas’

O presidente reclamou do próprio partido por apoiar a destinação de cerca de 60 bilhões de reais do orçamento deste ano para emendas

Lula diz que política está ‘mercantilizada’ e critica emendas: ‘sequestro das contas públicas’
Lula diz que política está ‘mercantilizada’ e critica emendas: ‘sequestro das contas públicas’
O presidente Lula (PT). Foto: João Valadares/PT
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O presidente Lula (PT) criticou neste sábado 7 o crescimento das emendas parlamentares com o passar dos anos. Durante a comemoração dos 46 anos do PT, em Salvador, o presidente afirmou ainda que o orçamento secreto é um “sequestro das contas públicas” e um sinal de que a política “apodreceu”.

“Os nossos deputados são testemunhas que a política apodreceu. A política apodreceu. Vocês que são candidatos sabem como é que está o mercado eleitoral nesse país. Vocês sabem quanto custa um cabo eleitoral. Vocês sabem quanto custa o vereador. Vocês sabem quanto custa o preço de cada candidatura nesse País. O que é uma vergonha”, disse.

O petista disparou, inclusive, contra o próprio partido por apoiar a destinação de cerca de 60 bilhões de reais do orçamento deste ano para emendas. A Lei Orçamentária Anual reservou cerca de 61 bilhões de reais para emendas parlamentares em 2026, sendo 49,9 bilhões de execução obrigatória (emendas individuais e de bancada).

Segundo o Lula, os integrantes do PT não devem se alinhar com as pautas do centrão, sob o risco de “deixar que partido vá para a vala comum da política desse País”.

Em seu discurso, o presidente fez ainda afagos ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que tem tido sua permanência na chapa para as eleições deste ano questionada. “Eu duvido que algum presidente tenha tido a sorte de ter um vice como eu tive”, disse, acrescentando elogios a Alckmin. “Portanto, companheiros, se preparem porque nós vamos ganhar as eleições e vamos ganhar as eleições com nossos aliados”.

Lula ainda defendeu a formação de alianças amplas nos estados por considerar que a legenda “não está com essa bola toda” em alguns locais do Brasil. “Um acordo político é uma coisa tática para gente poder governar esse País. E estamos mais sabidos, muito mais preparados”, afirmou o presidente, pregando que a militância permaneça mobilizada em defesa do governo.

Segundo o petista, as eleições deste ano serão uma guerra. “Nós temos que ser mais desaforados porque eles são desaforados. E nós não podemos ficar sendo quietinhos. Não tem mais essa de Lulinha paz e amor. Essa eleição vai ser uma guerra”, completou.

Lula desembarcou em Salvador na sexta-feira, onde anunciou a compra de dois mil veículos destinados a pacientes do SUS que precisam se deslocar para realizar tratamentos especializados. De acordo com o Palácio do Planalto, o investimento, de 815 milhões de reais, virá do Novo PAC, principal vitrine da gestão federal, em nova frente do programa Agora Tem Especialistas.

Depois do evento, ele visitou um hospital das obras sociais Irmã Dulce e assinou uma medida provisória que autoriza a destinação de recursos do FGTS para entidades hospitalares filantrópicas, instituições que atuam com pessoas com deficiência e organizações sem fins lucrativos que prestam serviços complementares ao Sistema Único de Saúde. À noite, participou de jantar promovido pelo governador Jerônimo Rodrigues.

Neste sábado, após participar do ato em alusão aos 46 anos do PT, o presidente seguiu para um almoço na casa do cantor e compositor Gilberto Gil, que foi ministro da Cultura no seu primeiro mandato.

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