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São Paulo

Livros de instituto neoliberal podem ir para bibliotecas, diz Prefeitura

por Débora Melo publicado 06/04/2017 18h35, última modificação 06/04/2017 19h15
Secretaria de Comunicação afirma que doações do Instituto Mises Brasil, aceitas pelo prefeito João Doria, não irão para escolas
Rovena Rosa/Agência Brasil
Doria

Instituto fez oferta a "alunos", e Doria aceitou: "Aprender economia é essencial na vida das pessoas"

Após a publicação da reportagem “Crítico da 'doutrinação', Doria distribuirá livros de Mises a escolas”, que foi ao ar na manhã desta quinta-feira 6 no site de CartaCapital, a Prefeitura de São Paulo informou que a oferta de doação de 5 mil livros, feita pelo Instituto Mises, está sendo discutida no âmbito da Coordenadoria do Sistema Municipal de Bibliotecas.

No dia 28 de março, o Instituto Mises Brasil ofereceu, por meio de uma postagem no Facebook, a doação das obras “para ajudar os alunos da rede pública de São Paulo a aprender lições básicas de economia desde pequenos”.

No dia seguinte, Doria aceitou a contribuição. “Ficamos muito felizes com sua iniciativa. Aprender economia é essencial na vida das pessoas”, respondeu o prefeito por meio seu perfil pessoal na rede social, em comentário assinado por #equipejd. As redes sociais do prefeito têm atividade intensa, com diversas postagens por dia e interação com eleitores.

Doria- Facebook

Originalmente, a ideia do instituto era destinar as obras para turmas do 8º e 9º anos do ensino fundamental. Segundo nota da Prefeitura, porém, os livros irão para bibliotecas caso a doação seja concretizada.

“Toda doação, para ser formalizada, depende de um entendimento entre quem oferece o bem ou serviço e o órgão que irá recebê-lo. Após todas as tratativas, caso a doação seja concretizada, o termo é publicado no Diário Oficial da Cidade. A Coordenadoria do Sistema Municipal de Bibliotecas, órgão da Secretaria Municipal da Cultura, entrou em contato com o Instituto Mises sobre a proposta de doação de livros feita pela entidade, e ainda não teve retorno", diz a nota.

A resposta foi enviada pela Secretaria de Comunicação da Prefeitura de São Paulo (Secom) quase 48 horas após o primeiro pedido de informação por CartaCapital. Na terça-feira 4, o órgão afirmou que não comentava informações divulgadas pelo perfil pessoal de João Doria no Facebook e recomendou que a reportagem procurasse a Secretaria da Educação. Procurada, a pasta não respondeu às solicitações.

O Instituto Mises leva o nome de Ludwig von Mises (1881-1973), um dos fundadores da Escola Austríaca de Economia. Defensor do capitalismo e do Estado mínimo, Mises participou em 1938 do encontro em Paris que cunhou o termo “neoliberalismo” como resposta à ameaça da social-democracia. Com críticas ao socialismo e a políticas assistencialistas, o austríaco ganhou a simpatia da nova direita brasileira.