Política

Líder dos caminhoneiros condena protestos contra Lula: ‘Jamais vou atentar contra democracia’

Wallace Landim, o Chorão, diz que atos são pequenos, pontuais e ligados à extrema-direita em estados onde Bolsonaro tem grande apoio

Foto: Reprodução
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O líder dos caminhoneiros Wallace Landim, popularmente conhecido como Chorão, condenou os bloqueios em estradas por parte da categoria que protesta contra a vitória do ex-presidente Lula (PT) no segundo turno.

Em conversa com CartaCapital, Landim negou participação das lideranças da categoria, disse que o número de caminhoneiros envolvidos é pequeno e atribuiu as manifestações à extrema-direita.

“Eu jamais vou organizar um ato contra a democracia”. “Isso é coisa pequena, de parte dos caminhoneiros que apoiam Bolsonaro e são intervencionistas. Pessoal da extrema-direita que já vinha ameaçando”, disse em tom de indignação. “É só ver onde estão bloqueando – Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso. São estados que dão votação massiva pro Bolsonaro”,

Landim diz ainda que podemos estar diante de um ato que está sendo gestado por patrões, o chamado locaute. “Os caminhões que aparecem nas imagens, na maioria, são novos, o que aumenta a suspeita [de participação das transportadoras]”, destaca. “Outro ponto é que em Santa Catarina, onde está maior o movimento, o ponto de organização é na maioria das vezes em frente à Havan”.

Ainda de acordo com o caminhoneiro, ele já está atuando para que os bloqueios sejam desfeitos. Há registros, como dito por Landim, nos três estados do Sul do Brasil. A pior situação é na BR-101, em Santa Catarina, em que veículos travam os dois sentidos da via. Um balanço oficial de estradas bloqueadas ainda não foi divulgado pela Polícia Rodoviária Federal, que apenas confirmou parte das manifestações.

Os primeiros registros de paralisações foram feitos ainda na noite de domingo, poucas horas após a vitória de Lula ser confirmada. Durante a madrugada, novos protestos foram sendo divulgados ao redor do País. Há casos confirmados em Mato Grosso, Rio de Janeiro, Goiás e no Distrito Federal. Relatos dão conta de pequenos bloqueios organizados em Minas Gerais.

Nas imagens que circulam amplamente nas redes sociais, é possível ver frases de apoio a Bolsonaro, iconografia da extrema-direita, bandeiras e hino do Brasil e até pedidos de intervenção militar. Além de caminhões, havia outros veículos e apoiadores do ex-capitão que se juntaram às manifestações.

Boa parte dos protestos, vale dizer, foi dispersada ainda na madrugada. Há, porém, bloqueios sendo registrados em algumas das regiões. CartaCapital procurou a PRF nesta manhã para confirmar detalhes de quantos protestos já foram desfeitos e quais bloqueios ainda seguem, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.

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