Política

Líder do PT em Foz do Iguaçu é assassinado a tiros por bolsonarista

Morte de Marcelo Arruda ocorreu durante festa de aniversário com a temática do ex-presidente Lula

O guarda municipal Marcelo Arruda foi morto com dois tiros à queima roupa, enquanto comemorava seus 50 anos. Foto: Reprodução Facebook
Apoie Siga-nos no

Marcelo Arruda, guarda municipal de Foz do Iguaçu (PR) e um dos líderes do PT na cidade, foi morto a tiros disparados por um bolsonarista na madrugada deste domingo 10 enquanto comemorava seu aniversário de 50 anos em uma festa com a temática do ex-presidente Lula (PT). O autor dos disparos não era conhecido pelo guarda e teria, segundo relatos, se incomodado com o tema da confraternização.

Estavam reunidas cerca de 40 pessoas, entre familiares e amigos na sede da Associação Esportiva Saúde Física Itaipu (Aresfi) quando um desconhecido parou seu carro no lado de fora e começou a gritar e fazer ameaças. “Ele gritava ‘é Bolsonaro seus fdp… seus desgraçados… é o mito”, conta uma testemunha em conversa com CartaCapital. O assassino tira uma arma e aponta para os convidados, ainda dentro do carro. Ao seu lado estava uma mulher e um bebe.

“A festa era com temática do PT. Por volta das 23h um sujeito que ninguém conhecia apareceu xingando os convidados, chamando o Lula de desgraçado e esbravejando o nome do Bolsonaro. O maluco disse que voltaria para matar todo mundo. E ele voltou”, detalha André Alliana, amigo próximo da vítima, em entrevista ao site Brasil de Fato.

Poucos minutos depois destas imagens, o homem desconhecido voltou ao local já com uma arma em punho para cumprir suas ameaças. Segundo outras testemunhas que presenciaram o atentado, o autor do crime aparentava estar sob efeito de drogas. Mais tarde, o homem foi identificado como Jorge José da Rocha Guaranho. A informação inicial divulgada pela Polícia Civil era de que ele também teria morrido no local após ser atingido por tiros de revide. Mais tarde, no entanto, a Secretaria de Segurança Pública do estado voltou atrás e informou que Guaranho estaria vivo e internado em estado grave.

“Se o Marcelo não revidasse”, conta a testemunha, “era possível que acontecesse uma chacina”. As primeiras informações são que o assassino é agente penitenciário federal. Eleitor de Bolsonaro postava em suas redes sociais notas de apoio ao ex-capitão.

Jorge José da Rocha Guaranho foi o autor dos disparos contra o guarda municipal Marcelo Arruda
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Marcelo era guarda municipal há 28 anos e militante do PT, onde atuava como tesoureiro do diretório municipal. Em 2020, ele concorreu nas eleições locais como candidato a vice-prefeito indicado pela legenda. Ele também ocupava o cargo de diretor no Sindicato dos Servidores Públicos de Foz do Iguaçu. Ele deixa a esposa e quatro filhos, entre eles, um bebê de apenas um mês.

Em nota assinada pela presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffmann, e pelo coordenador de Segurança Pública do PT, Abdael Ambruster, o partido lamentou o ocorrido e prometeu cobrar mais empenho das autoridades contra a violência política:

“Marcelo estava na flor da idade, tinha uma vida pela frente com sua família, esposa e quatro filhos, a quem prestamos nossa total solidariedade e apoio, e sonhava com um Brasil justo e democrático, fraterno e solidário, que queria construir com o povo brasileiro a partir da derrota do fascismo e da eleição de Lula Presidente”, destaca um trecho da nota.

Segundo a sigla, o autor do disparo é resultado da política praticada pelo atual presidente da República Jair Bolsonaro (PL). “Embalados por um discurso de ódio e perigosamente armados pela política oficial do atual Presidente da República, que estimula cotidianamente o enfrentamento, o conflito, o ataque a adversários, quaisquer pessoas ensandecidas por esse projeto de morte e destruição vêm se transformando em agressores ou assassinos.”

Além do partido, a prefeitura da cidade paranaense também emitiu nota lamentando o ocorrido.

(Com reportagem de René Ruschel)

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Contribua com o quanto puder.

Quero apoiar

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo