Política
Líder do governo reforça pressão por ‘queda robusta’ dos juros às vésperas de reunião do Copom
Para José Guimarães, adiamento da análise do arcabouço na Câmara não deve motivar manutenção dos juros em 13,75%: ‘Conteúdo já está aprovado nas duas Casas’
A uma semana da reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, o líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), reivindicou uma “queda robusta” da taxa de juros, mantida em 13,75% ao ano desde agosto do ano passado.
Marcada para 1º e 2 de agosto, a reunião será uma nova oportunidade para o Copom, sob o comando de Roberto Campos Neto, definir uma taxa Selic menor.
O presidente Lula (PT) tem reclamado do índice, um dos maiores do mundo, o que impediria a implementação de políticas de desenvolvimento e de crédito.
“Não tem outro caminho a não ser uma queda robusta [dos juros]”, declarou Guimarães a CartaCapital, nesta terça-feira 25. “Ele [Campos Neto] tem que agir. Ou ele age, ou então o Brasil vai ter que pedir a saída dele.”
Questionado sobre a possibilidade de que o adiamento da análise do arcabouço fiscal na Câmara sirva de justificativa para o BC manter os juros em 13,75%, o líder do governo argumentou que o texto-base do novo marco já foi avalizado por deputados e senadores.
Faltaria, somente, a apreciação de algumas alterações feitas no Senado, como a retirada do Fundo do Distrito Federal e do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica, o Fundeb, do teto.
“O arcabouço já foi votado aqui na Câmara, o conteúdo já está aprovado nas duas Casas. Só tem aquele detalhe do Fundeb, isso não altera em nada. Seria malandragem política”, considerou o petista.
“Campos Neto é um agente de articulação contra o governo. Ele está nessa missão lá. O governo faz todos os esforços, que não adiantam em nada”, criticou Guimarães.
Campos Neto já havia sinalizado a possibilidade de redução de 0,25 ponto percentual na taxa de juros, mas aliados do presidente da República têm pressionado para que esse corte seja de ao menos 0,5.
A base do governo aguarda também avanços no pedido de instauração de uma investigação contra Campos Neto no Senado para apurar as razões da atual política monetária. Um requerimento foi entregue ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), no fim do último semestre parlamentar.
Os governistas argumentam que os senadores têm a função de investigar Campos Neto por terem a prerrogativa de sabatinar e aprovar a indicação do presidente do Banco Central. Campos Neto foi sabatinado pelos senadores em 2019, após ser indicado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) ao cargo.
Diferentemente de governos anteriores, Campos Neto não pode ser destituído pelo atual presidente da República, devido à aprovação da lei de autonomia do Banco Central.
A base de Lula, porém, diz que Campos Neto pode ser deposto com base em um trecho da lei de autonomia que diz que o presidente da instituição e seus diretores podem ser exonerados “quando apresentarem comprovado e recorrente desempenho insuficiente para o alcance dos objetivos” da instituição.
A legislação prevê que o Banco Central tem como objetivos a estabilização dos preços, a eficiência do sistema financeiro, a suavização das flutuações do nível de atividade econômica e o fomento do pleno emprego.
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