Política

Líder do governo, Pimenta defende instalação de CPI do Banco Master

A manifestação ocorreu horas após o senador Ciro Nogueira (PP-PI) ser alvo de operação da Polícia Federal sobre supostos crimes cometidos pela instituição

Líder do governo, Pimenta defende instalação de CPI do Banco Master
Líder do governo, Pimenta defende instalação de CPI do Banco Master
O líder do governo Lula na Câmara, Paulo Pimenta. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
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Líder do governo Lula na Câmara, o deputado federal Paulo Pimenta (PT) defendeu nesta quinta-feira 7 a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito para apurar as fraudes do Banco Master. A manifestação ocorreu horas após o senador Ciro Nogueira (PP-PI) ser alvo de operação da Polícia Federal sobre supostos crimes cometidos pela instituição de Daniel Vorcaro.

Em postagem nas redes sociais, o parlamentar afirmou que a nova fase da Operação Compliance Zero mostra “a intimidade do coração” do governo Jair Bolsonaro (PL), no qual Ciro foi chefe da Casa Civil, com o esquema do “BolsoMaster”. Segundo Pimenta, o Congresso deve dar uma resposta ao caso e “não pode haver qualquer suspeita de acordão para abafar as investigações”.

“Banco Central, Fazenda, Casa Civil, Previdência, INSS e até o gabinete da Presidência aparecem cercados por operadores da fraude. É hora de instalar a CPMI no Congresso e a CPI na Câmara”, escreveu o líder. “O povo brasileiro merece transparência, investigação rigorosa e responsabilização dos envolvidos”. O deputado assumiu o posto no mês passado após José Guimarães (PT-CE) ser nomeado ministro das Relações Institucionais, responsável pela articulação política do Planalto.

Os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), resistem em dar andamento aos pedidos de CPI do Master. Em fevereiro, o deputado afirmou que “nem se quissesse” abriria a comissão. Já o senador tem ignorado os requerimentos que defendem a investigação parlamentar pelo alto impacto da comissão em ano eleitoral, dizem interlocutores.

As investigações da PF apontam que Vorcaro pagava até 500 mil reais mensais a Ciro Nogueira. Um dos indícios apontados contra o senador é a tentativa de aprovar, no Congresso, a ampliação da cobertura do Fundo Garantidor de Crédito de 250 mil para 1 milhão por depositante. A alteração beneficiaria o Master.

Segundo a corporação, o conteúdo da proposta foi elaborado pela própria assessoria do banco, encaminhado a Vorcaro, impresso e entregue em um envelope endereçado a “Ciro”, no endereço residencial do senador.

O teor da versão entregue teria sido “reproduzido de forma integral pelo parlamentar” e, segundo os investigadores, Vorcaro declarou, logo após a publicação da emenda em mensagens a terceiros, que o ato legislativo “saiu exatamente como mandei”. Ato contínuo, interlocutores do banco registraram que a medida “sextuplicaria” o negócio do Master e provocaria uma “hecatombe” no mercado.

Além da emenda, a representação da PF sustenta haver um contexto mais amplo de vantagens indevidas na relação entre o senador e o banqueiro:

  • a compra por Ciro de uma participação societária estimada em 13 milhões de reais por apenas 1 milhão;
  • a realização de repasses mensais de 300 mil reais “ou mais – considerando relatos de que o montante teria evoluído para 500 mil” — por meio de uma empresa;
  • a disponibilização gratuita, por tempo indeterminado, de um imóvel de alto padrão; e
  • o pagamento de hospedagens, deslocamentos e demais despesas de viagens internacionais de alto custo.

O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, que representa Ciro, disse em nota que a defesa “repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”. Segundo ele, o senador está comprometido em contribuir com a Justiça “a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados”.

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