Legalização do aborto na Argentina: as diferentes reações de Fernández e Bolsonaro

Presidente argentino falou em sociedade melhor com a decisão; capitão brasileiro não tratou o assunto como caso de saúde pública

Montagem/Reprodução

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Política

O presidente Jair Bolsonaro criticou nesta quarta-feira 30 a legalização do aborto na Argentina, afirmando que as “vidas das crianças argentinas” poderão, de agora em diante, ser “ceifadas” com “a anuência do Estado”.

 

 

 

“Lamento profundamente pelas vidas das crianças argentinas, agora sujeitas a serem ceifadas no ventre de suas mães com anuência do Estado”, escreveu no Twitter o presidente, que tem forte apoio das igrejas neopentecostais, fervorosamente contrárias à legalização do aborto.

“No que depender de mim e do meu governo, o aborto jamais será aprovado em nosso solo. Lutaremos sempre para proteger a vida dos inocentes!”, acrescentou.

 

 

O Senado argentino aprovou na madrugada desta quarta-feira a legalização do aborto até a 14ª semana de gestação. O presidente Alberto Fernández comemorou a decisão, afirmando que ela faz da Argentina “uma sociedade melhor, que amplia os direitos das mulheres e garante a saúde pública”.

 


No Brasil, o aborto só é permitido em casos de estupro, risco de vida para a mãe ou quando o feto tem anencefalia, uma má-formação congênita do sistema nervoso. Se realizado em outras circunstâncias, é passível de três anos de prisão.

O Supremo Tribunal Federal realizou em agosto de 2018 uma audiência pública sobre o tema.

Na ocasião, a doutora Maria de Fátima, representante do Ministério da Saúde do então presidente Michel Temer, lembrou que, apesar da proibição, uma em cada cinco mulheres brasileiras já se submeteram a um aborto e que a cada ano 203 mulheres morrem e outras 250.000 são hospitalizadas por complicações em intervenções clandestinas.

A declaração de Bolsonaro se soma a outras dirigidas no passado ao governo de Fernández.

Bolsonaro chegou ao poder há dois anos e Fernández há um ano, mas só celebraram seu primeiro encontro (virtual, por causa da pandemia de Covid-19) no mês passado, tentando virar a página de uma relação pessoal marcada pela hostilidade entre os dois chefes de Estado dos principais parceiros do Mercosul.

Quando Fernández venceu as eleições, Bolsonaro o insultou nas redes sociais e afirmou que a esquerda estava chegando na Argentina. Em outra ocasião, advertiu que “a Argentina está indo rapidamente para um regime semelhante ao da Venezuela” e que poderia ocorrer um afluxo maciço de refugiados argentinos ao Brasil.

Fernández, por sua vez, qualificou o colega brasileiro de “racista, misógino e violento”.

Quando candidato, Fernández visitou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde o líder histórico da esquerda cumpria pena por acusações de corrupção que ele sempre negou.

“O Brasil não merece ter uma mancha como é a prisão de Lula. O povo brasileiro não o merece”, disse, então, Fernández, sendo acusado por Bolsonaro de ingerência em assuntos internos do Brasil.

 

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