Política

Lava Jato utilizou de provas ilegais para pressionar por delações

Vaza Jato: Dallagnol chegou a ser alertado sobre o perigo da prática, mas absteve-se justificando ‘decisões de risco’

Lava Jato utilizou de provas ilegais para pressionar por delações
Lava Jato utilizou de provas ilegais para pressionar por delações
Dallagnol bebeu de seu orientador de mestrado em Harvard, Scott Brewer, a ideia: não precisa de provas, bastam evidências (ou convicções...)
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Um novo capítulo da Vaza Jato revelou, nesta sexta-feira 27, que a Operação Lava Jato utilizava de provas obtidas ilegalmente no exterior para fundamentar suas ações.

Segundo a lei brasileira, é necessário firmar-se acordos de cooperação internacional para utilizar provas obtidas por investigação estrangeira, mas as mensagens apontam a prática irregular entre os procuradores da República. A reportagem foi publicada pelo portal UOL em parceria com o site The Intercept Brasil.

Entre as provas ilegais citadas pelos procuradores nas conversas, estão dados sobre delatores de grande peso, como os ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Renato Duque e o ex-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht. Além disso, a Operação também colocava em seu radar nomes prioritários – nos documentos, a família do ex-presidente Lula aparece nesta lista.

Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa, chegou a ser alertado por outros procuradores sobre as práticas e os perigos em obter informações internacionais por fora dos meios legais.

“É natural tomar algumas decisões de risco calculado em grandes investigações”, justificou-se, ao ser questionado por Vladimir Aras sobre provas contra Renato Duque que chegaram de Mônaco. Cinco dias depois, em março de 2015, o ex-juiz Sergio Moro declararia a prisão do empreiteiro.

Em relação à Odebrecht, os procuradores já possuíam acesso às contas envolvidas em propina da Odebrecht quase um ano antes de, formalmente, elas poderem ser usadas nas investigações. A análise do sistema de controle de repasses de dinheiro foi crucial, no MPF, para que os empresários se sentissem pressionados para delatarem esquemas à Operação.

Um exemplo apontado pela reportagem foi a pressão pela delação do ex-senador Sérgio Machado. O procurador Paulo Roberto Galvão que faz o lance em abril de 2016. “Se é pressão que o SM está precisando, nós temos conhecimento da conta do filho dele na Suíça”, escreveu em um grupo. Depois, acrescentou: “É uma informação que não podemos usar de forma alguma, pois nos foi passada para inteligência pelos suíços.”.

A força-tarefa alegou à reportagem que “a troca de informações de inteligência e a cooperação direta entre autoridades estrangeiras é absolutamente legal e constitui boa prática internacional”, mas não respondeu em relação ao acesso prévio aos sistemas de manejo de propinas da Odebrecht.

“Ao tratar com investigados, é perfeitamente lícito e leal informá-los de que as autoridades brasileiras já possuem conhecimento sobre eventuais offshores e contas bancárias controladas por eles.”, acrescentaram.

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