Política

Lava Jato: 42ª fase prende ex-presidente do BB e da Petrobras

Aldemir Bendine foi preso pela prática de corrupção e lavagem de dinheiro relacionadas ao pagamento de propinas pela Odebrecht

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Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil (2009-2015) e da Petrobras (2015-2016), foi preso na manhã desta quinta-feira 27 pela Polícia Federal pela prática de corrupção e lavagem de dinheiro. A prisão é parte da 42ª fase da Operação Lava Jato, batizada de “Cobra”, em alusão ao apelido recebido por Bendine na lista de pagamentos de propinas da Odebrecht.

A nova fase da Lava Jato cumpre três mandados de prisão temporária e 11 de busca e apreensão no Distrito Federal, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo. Os presos serão levados para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. 

Segundo o Ministério Público Federal, há evidências de que Aldemir Bendine, então presidente do Banco do Brasil, teria pedido propina no valor de 17 milhões de reais para viabilizar a rolagem de dívida de um financiamento da Odebrecht AgroIndustrial. Os executivos Marcelo Odebrecht e Fernando Reis, porém, teriam negado o pedido porque entenderam que Bendine não poderia influenciar no contrato de financiamento do BB. 

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A situação mudou, segundo as investigações, após Bendine ser alçado à presidência da Petrobras em 2015, na esteira do afastamento de Graça Foster. Os delatores Marcelo Odebrecht e Fernando Reis afirmam que o presidente da estatal pediu 3 milhões para não “prejudicar” as relações entre a Odebrecht e a Petrobras – pedido acatado pelos agora delatores. 

Segundo informações do MPF, a acusação contra o ex-presidente da estatal foi construída a partir de delações premiadas e informações colhidas na 26ª fase da Lava Jato, a Operação Xepa, realizada em março de 2016. 

O valor foi repassado em três entregas, em espécie, no valor de R$ 1 milhão cada, em São Paulo. Os pagamentos, realizados a partir do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, teriam sido feitos em 2015. 

“Desde o início das investigações, Bendine se colocou à disposição para esclarecer os fatos e juntou seus dados fiscais e bancários ao inquérito, demonstrando a licitude de suas atividades.  A cautelar é desnecessária por se tratar de alguém que manifestou sua disposição de depor e colaborar com a justiça”, declarou à imprensa o advogado do ex-presidente do Banco do Brasil, Pierpaolo Bottini.

Críticas  

Em 2017, um dos operadores financeiros que atuavam junto a Bendine confirmou que recebeu a quantia da Odebrecht, mas tentou atribuir o pagamento a uma suposta consultoria que teria prestado à empreiteira para facilitar o financiamento junto ao Banco do Brasil. Todavia, a investigação revelou que a empresa utilizada pelo operador financeiro era de fachada.

Além disso, não foi apresentado nenhum material relativo à alegada consultoria e não foi explicado o destino de valores, a forma oculta do recebimento, a ausência de contrato escrito para serviços de valor milionário e o motivo da diminuição do valor de tais serviços, que inicialmente seriam, conforme reconhecido pelo próprio operador, de R$ 17 milhões, para R$ 3 milhões.

Buscando dar aparência lícita para os recursos, o operador financeiro, após tomar ciência das investigações, efetuou o recolhimento dos tributos relacionados à suposta consultoria, cerca de dois anos após os pagamentos, com o objetivo de dissimular a origem criminosa dos valores. Há indícios que a documentação também foi produzida com intuito de ludibriar e obstruir as investigações.

A colaboração premiada dos executivos da Odebrecht foi o ponto de partida das investigações. Os investigadores analisaram ligações telefônicas, reuniões em hoteis, extratos de cartão de crédito, anotações e aplicativos de mensagens no celular. 

Os procuradores a frente da Operação Lava Jato aproveitaram o caso para criticar “o arrefecimento do investimento na Lava Jato pela direção da Polícia Federal”. Segundo Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa no Paraná, “das últimas sete operações da Lava Jato, seis foram pedidas pelo Ministério Público. É preciso preservar o trabalho da Polícia Federal nas investigações. O Ministro da Justiça e o Delegado-Geral têm poder e a consequente responsabilidade sobre o tamanho do efetivo, que foi reduzido para menos de metade”, completou.

“Há quem fale que as investigações contra a corrupção têm que acabar, mas casos como esse deixam claro que os criminosos não vão parar. Pregar o fim da Lava Jato é defender a liberdade para os ladrões do dinheiro público prosseguirem. Se queremos um Brasil com menos corrupção, é preciso ir até onde eles foram e estão dispostos a ir”, declarou a procuradora da República Jerusa Burmann Viecili.

 

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