Política
Lá, como cá e como acolá: é Brasil
Seja em São Paulo, Rio de Janeiro ou Salvador, vereadores desperdiçam tempo e dinheiro do contribuinte criando datas temáticas como o Dia do Estresse
No dia 16 de outubro, o site de Carta Capital publicou um texto assinado por mim sob o título “Dia de homenagear qualquer coisa”, onde critiquei a atuação dos senhores vereadores cariocas – mais preocupados em criar factóides e firulas para garantirem seus espaços na imprensa, que em fiscalizar o Executivo e formular projetos capazes efetivamente de melhorar a vida do povo do Rio. Este, aliás, é o trabalho a ser desenvolvido, representando os eleitores.
Dizia nesse texto que, em vez de leis concretas, o Legislativo Municipal perde tempo selecionando datas para homenagear determinada categoria profissional, bairro, religião ou personalidade. E brinquei afirmandoque, “pelo andar da carruagem, a próxima providência seguramente será a de revogar o calendário gregoriano e ganhar mais espaço no ano para tantos merecidos reconhecimentos que os vereadores descolam.”
Lembrei que a Câmara Municipal oficializou um calendário de parlamentares que não têm mais com o que se preocupar: dia do office-boy, do urologista, da atenção à saúde sexual do homem, dia do surdo, dia do ascensorista, da babá, da esposa, do folclorista luso-brasileiro, do dançarino de dança de salão. Tem dia para tudo! Até para quem não nasceu, pois o 25 de março é dedicado ao nascituro. Tem também a semana de combate aos ratos, a terceira do mês de maio.
É claro que, como vivo e trabalho no Rio, costumo escrever sobre o dia a dia da cidade, do Estado e de seus políticos. Mas as mazelas do Rio não são locais. Elas são verdadeiramente nacionais. O que acontece no Rio seguramente é igual a qualquer unidade da Nação.
Se for para criticar políticos de todo o País, como São Paulo, por exemplo – a locomotiva econômica e social do Brasil – basta entrar no site oficial da Câmara paulistana. Veremos que aquilo que critico do Rio, pode ser estendido a todo o País.
Assim, para exemplificar a falta do que fazer a assolar qualquer município, escolhi São Paulo para provar que o perfil do político é igual em todos os rincões deste País verdejante.
Vamos aos dados levantados: na capital paulista, em 2011, os vereadores ganharam 15 mil reais por mês. Some-se a esse salário os custos de gabinete: 18 assessores parlamentares para cada vereador, com uma verba mensal de 84.407,60 reais para mantê-los e ainda 16.359,48 reais para despesas gerais.
Tudo pago pelos paulistanos! E quais os resultados para a cidade?
Vamos comparar, para manter a mesma linha de raciocínio, as datas oficializadas por projetos de lei que foram apresentados, votados e aprovados na Câmara Municipal de São Paulo com as do Rio. Constataremos, sem esforço, como os nobres edis paulistanos engrossam a legislação municipal que também tem dia para tudo.
Está tudo lá, na Lei nº 14.485, a da Consolidação do Calendário de Eventos de São Paulo. Vamos pinçar algumas pérolas:
20 de janeiro: Dia do Fusca;
23 de março: Dia do Acupunturista e do Massoterapeuta;
02 a 08 de março: Semana da Mulher Progressista;
11 de abril: Dia do Kung Fu;
26 de abril: Dia do Karatê;
18 de maio: Dia do Sumô;
08 de julho: Dia do Taxista e do Panificador;
17 de agosto: Dia Y’s Men’s Club (???!!!);
20 de setembro: Dia do Balconista;
23 de setembro: Dia do Controle do Estresse, “podendo o Poder Público, nos termos da lei, apoiar eventos ligados à comemoração da data ora criada, inclusive autorizando o uso de espaços públicos para o mesmo e atividades correlatas, visando à conscientização, prevenção e controle do estresse.” Boa essa!
10 de outubro: Dia do Profissional de Consórcios;
16 de novembro: Dia do não Fumar;
20 de novembro: Dia do Profissional de Estética;
30 de novembro: Dia do Capelão;
31 de outubro: Dia do Saci;
08 de dezembro: Dia do Colunista Social;
13 de dezembro: Dia do Forró.
Uma coisa é certa. Para todos os eventos lembrados e homenageados com um dia especial, cariocas e paulistanos certamente não deixam de “ralar”, pegar a condução cedo, trabalhar muito e voltar tarde para casa. Já os nobres vereadores das duas maiores capitais do País… A conversa, infelizmente, é outra. Mesmo tendo o dia do Controle do Estresse.
Cariocas e paulistas? Só? E aqui lanço um desafio, com a autoridade de quem já viveu cinco anos em Salvador e ama a Bahia: será que os vereadores de Salvador têm tempo para essas besteiras? Vamos realizar a pesquisa?
Deixa para lá. Melhor não perdermos tempo em analisar um script cujo resultado já conhecemos.
O fato real é que as eleições municipais se darão em 7 de outubro próximo. Proponho, outra vez, que os eleitores de cada município do Brasil enxotem os políticos que não levaram a sério as funções e os votos recebidos – numa tentativa de reconquista do respeito que os poderes Legislativo e Executivo merecem ter. E que o brasileiro merece.
Diferente do que acontece com o Judiciário, nossos candidatos a vereadores e prefeitos podem ser renovados ou mantidos por nós. E, escolhendo com critério, vamos nos livrar de picaretas e, com eles, do Dia do Estresse.
No dia 16 de outubro, o site de Carta Capital publicou um texto assinado por mim sob o título “Dia de homenagear qualquer coisa”, onde critiquei a atuação dos senhores vereadores cariocas – mais preocupados em criar factóides e firulas para garantirem seus espaços na imprensa, que em fiscalizar o Executivo e formular projetos capazes efetivamente de melhorar a vida do povo do Rio. Este, aliás, é o trabalho a ser desenvolvido, representando os eleitores.
Dizia nesse texto que, em vez de leis concretas, o Legislativo Municipal perde tempo selecionando datas para homenagear determinada categoria profissional, bairro, religião ou personalidade. E brinquei afirmandoque, “pelo andar da carruagem, a próxima providência seguramente será a de revogar o calendário gregoriano e ganhar mais espaço no ano para tantos merecidos reconhecimentos que os vereadores descolam.”
Lembrei que a Câmara Municipal oficializou um calendário de parlamentares que não têm mais com o que se preocupar: dia do office-boy, do urologista, da atenção à saúde sexual do homem, dia do surdo, dia do ascensorista, da babá, da esposa, do folclorista luso-brasileiro, do dançarino de dança de salão. Tem dia para tudo! Até para quem não nasceu, pois o 25 de março é dedicado ao nascituro. Tem também a semana de combate aos ratos, a terceira do mês de maio.
É claro que, como vivo e trabalho no Rio, costumo escrever sobre o dia a dia da cidade, do Estado e de seus políticos. Mas as mazelas do Rio não são locais. Elas são verdadeiramente nacionais. O que acontece no Rio seguramente é igual a qualquer unidade da Nação.
Se for para criticar políticos de todo o País, como São Paulo, por exemplo – a locomotiva econômica e social do Brasil – basta entrar no site oficial da Câmara paulistana. Veremos que aquilo que critico do Rio, pode ser estendido a todo o País.
Assim, para exemplificar a falta do que fazer a assolar qualquer município, escolhi São Paulo para provar que o perfil do político é igual em todos os rincões deste País verdejante.
Vamos aos dados levantados: na capital paulista, em 2011, os vereadores ganharam 15 mil reais por mês. Some-se a esse salário os custos de gabinete: 18 assessores parlamentares para cada vereador, com uma verba mensal de 84.407,60 reais para mantê-los e ainda 16.359,48 reais para despesas gerais.
Tudo pago pelos paulistanos! E quais os resultados para a cidade?
Vamos comparar, para manter a mesma linha de raciocínio, as datas oficializadas por projetos de lei que foram apresentados, votados e aprovados na Câmara Municipal de São Paulo com as do Rio. Constataremos, sem esforço, como os nobres edis paulistanos engrossam a legislação municipal que também tem dia para tudo.
Está tudo lá, na Lei nº 14.485, a da Consolidação do Calendário de Eventos de São Paulo. Vamos pinçar algumas pérolas:
20 de janeiro: Dia do Fusca;
23 de março: Dia do Acupunturista e do Massoterapeuta;
02 a 08 de março: Semana da Mulher Progressista;
11 de abril: Dia do Kung Fu;
26 de abril: Dia do Karatê;
18 de maio: Dia do Sumô;
08 de julho: Dia do Taxista e do Panificador;
17 de agosto: Dia Y’s Men’s Club (???!!!);
20 de setembro: Dia do Balconista;
23 de setembro: Dia do Controle do Estresse, “podendo o Poder Público, nos termos da lei, apoiar eventos ligados à comemoração da data ora criada, inclusive autorizando o uso de espaços públicos para o mesmo e atividades correlatas, visando à conscientização, prevenção e controle do estresse.” Boa essa!
10 de outubro: Dia do Profissional de Consórcios;
16 de novembro: Dia do não Fumar;
20 de novembro: Dia do Profissional de Estética;
30 de novembro: Dia do Capelão;
31 de outubro: Dia do Saci;
08 de dezembro: Dia do Colunista Social;
13 de dezembro: Dia do Forró.
Uma coisa é certa. Para todos os eventos lembrados e homenageados com um dia especial, cariocas e paulistanos certamente não deixam de “ralar”, pegar a condução cedo, trabalhar muito e voltar tarde para casa. Já os nobres vereadores das duas maiores capitais do País… A conversa, infelizmente, é outra. Mesmo tendo o dia do Controle do Estresse.
Cariocas e paulistas? Só? E aqui lanço um desafio, com a autoridade de quem já viveu cinco anos em Salvador e ama a Bahia: será que os vereadores de Salvador têm tempo para essas besteiras? Vamos realizar a pesquisa?
Deixa para lá. Melhor não perdermos tempo em analisar um script cujo resultado já conhecemos.
O fato real é que as eleições municipais se darão em 7 de outubro próximo. Proponho, outra vez, que os eleitores de cada município do Brasil enxotem os políticos que não levaram a sério as funções e os votos recebidos – numa tentativa de reconquista do respeito que os poderes Legislativo e Executivo merecem ter. E que o brasileiro merece.
Diferente do que acontece com o Judiciário, nossos candidatos a vereadores e prefeitos podem ser renovados ou mantidos por nós. E, escolhendo com critério, vamos nos livrar de picaretas e, com eles, do Dia do Estresse.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.



