Política

Quem é Kátia Abreu, confirmada como vice de Ciro

Confirmada como candidata na chapa pelo presidente do PDT, a senadora atrai a ira dos ambientalistas, mas foi fiel a Dilma e crítica a Temer

Senadora foi expulsa do MDB por defender Dilma. Agora, estará ao lado de Ciro
Senadora foi expulsa do MDB por defender Dilma. Agora, estará ao lado de Ciro
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Kátia Abreu é umas figuras mais complexas da política brasileira, goste-se ou não dela.

Em 2014, assumiu o Ministério da Agricultura, Pecuária e Desabastecimento de Dilma Rousseff sendo chamada por ambientalistas de organismos como o Greenpeace de “Miss Desmatamento”.

Tornou-se um dos quadros mais fiéis à ex-presidenta e uma rara exceção entre os agropecuaristas a se levantar contra seu impeachment, sendo uma das mais combativas parlamentares durante o processo. Agora, não estará ao lado da ex-chefe na disputa presidencial. 

A ex-ministra foi indicada oficialmente como a vice de Ciro na manhã desta segunda-feira 6 na sede do PDT, em Brasília. Ao anunciá-la, Ciro ressaltou justamente a postura “combativa de Kátia diante do golpe”, destacando ainda que a ruralista enfrentou o próprio partido na época – então PMDB – e se contrapôs a “quadrilha de corruptos que dominou a democracia.”

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A candidata reconheceu no fim de semana ao jornal Valor Econômico que a legenda aguardou até este domingo 5 em uma última tentativa de fazer novas alianças. Com apenas o apoio do PMN, o partido confirmou seu nome. “Ciro foi o candidato mais procurado para alianças no Brasil, pela expectativa de vitória que desperta. E por essa expectativa é que se armaram amplas alianças contra ele”, disse a agora vice de Ciro, em alusão à neutralidade do PSB costurada pelo PT e o acordo do “centrão” com Gerlado Alckmin, do PSDB. 

Quando assumiu como ministra do governo Dilma, Kátia Abreu recebia críticas constantes da esquerda. Seu discurso favorável a transgênicos e agrotóxicos incomodava diversos setores. 

Dona de uma fazenda de soja e de gado no Tocantins, ela nunca escondeu suas posições contra a demarcação e o assentamento de terras.

Em seu discurso de posse no ministério, a ruralista chegou a existência de latifúndios no País. Por consequência, defendeu uma desaceleração ainda maior no programa de reforma agrária. “Ele tem de ser pontual, para os vocacionados. E se o governo tiver dinheiro não só para dar terra, mas garantir a estrutura e a qualidade dos assentamentos. Latifúndio não existe mais.” Sua atuação contra o Código Florestal enquanto parlamentar também causava protestos dos ambientalistas. 

Durante o processo de impechment de Dilma, a senadora impressionou parte da esquerda por sua fidelidade à presidenta eleita. “O sistema político está podre. A presidente da República é honesta. Uma mulher digna, que não tem uma acusação contra ela por roubo e corrupção. Agora, contra os partidos políticos do Brasil, é difícil salvar um”, disse em 2016. 

Por sua postura contra o impeachment e suas constantes críticas ao governo de Michel Temer, Kátia Abreu foi expulsa do MDB em novembro de 2017. 

Em meados de maio do ano passado, a senadora fez um pronunciamento no Senado em que acusou Temer de perder a governabilidade do País e de incompetência política.

“Nós temos que encontrar uma saída. A população está revoltada, a população está insatisfeita, a população não nos respeita, não nos admira. E nós estamos aqui, embaraçados, procurando defender ninguém sabe Deus o quê”, disse ela na tribuna da Casa.

“Não é hora mais de pensar na honra do Sr. Michel Temer ou de quem quer que seja. O futuro dele, ele desenhou, ele construiu, ele escreveu”.

E continuou:

“É para isto que nós trocamos a Presidente Dilma? E eu vejo aqui alguns colegas dizendo que o Presidente tem o apoio de 18 Senadores. Grande coisa apoio de 18 Senadores – todos eu respeito muito. Apoio a quê, gente? Apoio a quem? Apoio às denúncias? Apoio a quê? Esqueceram de dizer que apoio é esse. Apoio? Apoio para quem já está manco, aleijado? Nós estamos assistindo todos os dias à perda da governabilidade. Que tivesse a altivez, a dignidade de convocar novas eleições, para que o País possa prosseguir.”

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