Política

Jaques Wagner anuncia saída da liderança do governo no Senado

Decisão ocorre quase uma semana após o parlamentar ser alvo de operação da PF por suposta atuação em favor do Banco Master

Jaques Wagner anuncia saída da liderança do governo no Senado
Jaques Wagner anuncia saída da liderança do governo no Senado
O líder do governo no Senado Federal, senador Jaques Wagner (PT-BA). Foto: Pedro França/Agência Senado
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O senador Jaques Wagner (PT-BA) comunicou ao presidente Lula (PT) que deixará a liderança do governo federal no Senado. Os dois se reuniram nesta quarta-feira 24, no Palácio do Alvorada, em Brasília, quase uma semana após o parlamentar ser alvo de operação da Polícia Federal por suposta atuação em favor do Banco Master no Congresso.

O encontro, descrito por Wagner como uma “conversa de amigos”, que durou cerca de duas horas. “Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues, além da minha reeleição junto com Rui Costa para o Senado”, escreveu o senador nas redes sociais.

Nos últimos dias, ele vinha sendo aconselhado por aliados a deixar a liderança sob o temor de arrastar o escândalo do Master para a campanha de Lula à reeleição.

Embora sinalize confiar na inocência de Wagner, o entorno do presidente avaliava que mantê-lo no posto poderia trazer prejuízo à imagem de Lula às vésperas da eleição, além de inviabilizar a estratégia de colocar os escândalos do banco de Daniel Vorcaro no colo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência.

Endereços ligados ao senador em Salvador (BA) e Brasília foram alvos de mandados de busca e apreensão na última quinta-feira 18, por ordem do ministro André Mendonça, relator da investigação sobre o Master no Supremo Tribunal Federal. O documento registra que a PF apura uma suposta relação ilícita entre Wagner, Vorcaro e Augusto Lima.

De acordo com a corporação, as suspeitas contra Jaques Wagner se concentram em três frentes:

  • A suposta aquisição, por meio de estruturas empresariais ligadas ao grupo investigado, de um apartamento de alto padrão em Salvador (BA);
  • repasses financeiros à BN Financeira, empresa vinculada ao núcleo familiar do senador; e
  • uma possível atuação no Congresso em temas de interesse do Banco Master, como mudanças nas regras do crédito consignado, propostas relacionadas ao Fundo Garantidor de Créditos e discussões envolvendo a tentativa de aquisição do banco pelo BRB.

Entre os elementos destacados pela PF está uma troca de mensagens de março de 2025 sobre a negociação para a venda do Master ao BRB. Segundo a decisão do STF, ao explicar a operação ao senador, Augusto Lima escreveu: “Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso!!”

Os investigadores afirmam ainda que Augusto Lima teria recebido do senador informações sobre um apartamento no empreendimento Poème Horto, em Salvador, e repassado esses dados a operadores financeiros ligados ao grupo de Vorcaro para viabilizar a compra.

A PF também sustenta que Augusto coordenou pagamentos destinados à BN Financeira, manteve interlocução frequente com o senador sobre assuntos de interesse do Master e encaminhava informações sobre temas como a operação de venda da instituição ao Banco de Brasília, propostas legislativas, requerimentos no Senado e a CPI do Banco Master.

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