Política
Janela partidária: quem deve ganhar e quem deve perder cadeiras na Câmara
Movimentações indicam possível crescimento de PL, Podemos, PSD e Republicanos, enquanto União Brasil, PDT e PSOL enfrentam risco de encolhimento
A abertura da janela partidária já movimenta os bastidores da Câmara dos Deputados e deve provocar mudanças relevantes no tamanho das bancadas antes das eleições de outubro. O período, que começou na sexta-feira 6 e vai até 3 de abril, permite a troca de partido sem perda do mandato e é tradicionalmente usado por congressistas para buscar novos arranjos.
Deputados avaliam fatores como acesso ao fundo eleitoral, estrutura partidária e alianças regionais antes de decidir pela mudança de legenda. Ao mesmo tempo, dirigentes de partidos tentam atrair novos quadros e conter possíveis debandadas que possam reduzir a força das bancadas.
Quem ganha
Entre as legendas que projetam crescimento está o PL, atualmente a maior bancada da Câmara. Na abertura da janela, o partido confirmou a filiação de cinco deputados federais: Carla Dickson (RN, que deixa o União Brasil), Sargento Fahur (PR, ex-integrante do PSD), Nicoletti (RR, ex-União Brasil), Padovani (PR, que estava no PSDB) e Reinhold Stephanes (PR, mais um que sai do PSD). Com as novas adesões, a sigla oficial do bolsonarismo passa de 87 para 92 deputados e trabalha com a expectativa de ultrapassar a marca de 100 nomes até o fim do período.
Também há expectativa de crescimento em partidos do Centrão. O Podemos, presidido pela deputada Renata Abreu (SP), aposta em atrair deputados que buscam se distanciar de disputas internas em outras siglas. O PSD, comandado por Gilberto Kassab, e o Republicanos, presidido por Marcos Pereira, também trabalham para ampliar suas bancadas.
Já o MDB começou a receber novos nomes. O partido filiou os deputados Saullo Vianna (AM), que estava no União Brasil, e Adail Filho (AM), que deixou o Republicanos.
Quem perde
Enquanto alguns partidos tentam expandir sua presença na Casa, o União Brasil vive um momento de maior pressão. A desfiliação do deputado Danilo Forte (CE) acendeu um alerta entre dirigentes da legenda, especialmente no Ceará, onde há temor de novas perdas na bancada federal.
No plano nacional, outros deputados também avaliam deixar o União Brasil. Entre os nomes citados nas negociações estão Coronel Assis (MT), Eduardo Velloso (AC), Felipe Francischini (PR), Padovani (PR) e Mendonça Filho (PE). Alguns deles negociam com partidos como PL, PSD, Novo e PSDB.
O União Brasil tenta conter a redução da bancada. O líder do partido na Câmara, Pedro Lucas Fernandes (MA), afirma trabalhar para reverter o cenário e atrair novos deputados para a sigla.
Além do União, partidos menores também acompanham a janela com preocupação. No PDT, dirigentes avaliam que a legenda pode perder parte de sua bancada de 16 deputados. Entre os nomes citados nos bastidores como possíveis saídas estão Robério Monteiro (CE), Leo Prates (BA) e Flávia Morais (GO).
O PSOL também monitora o cenário diante da decisão de não criar uma federação com o PT. A divergência sobre o tema pode fazer com que Luciene Cavalcante (SP) e Erika Hilton (SP) deixem a sigla.
Outros movimentos também já começam a aparecer. O deputado Vinícius Carvalho (SP) anunciou que deixará o Republicanos para se filiar ao PL. Já Lucas Redecker (RS) avalia sair do PSDB e migrar para o PSD. O deputado Túlio Gadelha (PE), atualmente na Rede, deve se filiar ao PDT.
A janela partidária costuma provocar rearranjos significativos no Congresso. Em 2022, cerca de 120 deputados trocaram de partido durante o período.
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