Jair Renan, o ‘Zero Quatro’, abriu empresa com ajuda de lobista que entrou na mira da CPI, diz jornal

Marconny de Faria, apontado como intermediário da Precisa, deve depor à comissão nesta quinta-feira 2, segundo Randolfe Rodrigues

Jair Renan e Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução/Redes Sociais

Jair Renan e Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução/Redes Sociais

Política

O filho ‘Zero Quatro’ de Jair Bolsonaro, Jair Renan Bolsonaro, abriu sua empresa com a ajuda do lobista Marconny Albernaz Ferreira de Faria, que entrou na mira da CPI da Covid como intermediário da Precisa Medicamentos.

 

 

Diálogos de WhatsApp obtidos pelo jornal Folha de S.Paulo e enviados à comissão do Senado pelo Ministério Público Federal do Pará indicam que as tratativas começaram em 17 de setembro do ano passado.

“Bora resolver as questões dos seus contratos!! Se preocupe com isso. Como te falei, eu e o William estamos a sua disposição para ajudar te ajudar”, escreveu Marconny. “Show irmão. Eu vou organizar com Allan a gente se encontrar e organizar tudo”, respondeu Jair Renan.

Conforme as transcrições publicadas pelo jornal, o filho do presidente da República disse que teria de obter o registro de Microempreendedor Individual e oficializar a marca no Instituto Nacional da Propriedade Industrial.

Marconny, então, afirmou: “Temos que marcar uma reunião para me dizer o que está precisando. bora marcar na segunda”. O ‘Zero Quatro’ devolveu com “Talkei”.

Ainda naquele dia, o lobista enviou uma mensagem para o advogado William de Araújo Falcomer dos Santos: “Posso marcar uma reunião com o Renan Bolsonaro na segunda às 16h?”. Falcomer deu o aval e disse que estava “marcado”.

De acordo com o jornal, o telefone registrado na Receita Federal pela Bolsonaro Jr Eventos, empresa de Jair Renan, é o mesmo do escritório de Falcomer. Frederick Wassef, advogado do filho de Bolsonaro, disse ao veículo que seu cliente não tem nenhuma relação com  Falcomer.

Antes das revelações sobre Jair Renan, Marconny Faria apresentou um atestado médico no qual alega estar internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, a fim de não comparecer a depoimento marcado na CPI da Covid. O suposto lobista da Precisa Medicamentos diz sofrer com dor pélvica.

No início da noite, o vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou nas redes sociais que “o médico que concedeu o atestado do Sr. Marconny Faria entrou em contato conosco e disse que foi ele que concedeu o atestado, mas que notou uma simulação por parte do paciente e que deseja cancelar o mesmo. Com isso, amanhã receberemos o Sr. Marconny na CPI da Covid”.

 

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