Investimentos de Marisa Letícia eram de R$ 26 mil, não R$ 256 milhões, mostram advogados

Notícias de 'CDBs milionários' da ex-primeira dama foram compartilhadas pela família Bolsonaro e por Regina Duarte, mas eram falsas

Foto: Ricardo Stuckert/PR

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Os advogados do ex-presidente Lula enviaram, nesta quarta-feira 15, um documento que prova que os valores de investimentos no nome da ex-primeira dama Marisa Letícia não estão na casa dos 256 milhões de reais, como foi divulgado anteriormente, mas sim no valor aproximado de 26 mil reais – um valor 10.000 vezes menor.

O juiz Carlos Henrique André Lisboa, da 1ª Vara da Família e das Sucessões, pediu esclarecimentos ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quando checava os números do inventário de Marisa Letícia, que morreu em 2017 em decorrência de um AVC (acidente vascular cerebral). Em seu pedido, o juiz questionou se a ex-primeira dama teria 2.566 títulos CDBs para vencerem no mês de abril, cada um com o valor de 100 reais, o que totalizaria o valor milionário.

Em resposta, os advogados que cuidam dos processos envolvendo Lula responderam que tal correspondência de valores tinha sido feito de forma equivocada, o que já havia sido provado em processos anteriores que analisaram a renda da família – incluindo a Operação Lava Jato. Como prova final, foi anexada uma foto do extrato bancário no nome de Marisa Letícia, que atesta o valor de aproximados 26 mil reais.

No valor total, os advogados declararam que “todos os bens e investimentos que pertenciam à falecida e que devem ser partilhados estão arrolados nestes autos e perfazem a quantia total de R$ 1.458.535,49”.

No entanto, até o momento dos advogados prestarem as informações corretas, diversas fake news já tinham percorrido o cenário político, alimentando perfis do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ), do vereador do Rio Carlos Bolsonaro e da secretária especial de Cultura, Regina Duarte, que se apressou para tentar atacar a imprensa com uma charge em seu perfil.


Em decorrência das consequências da associação errônea, a defesa de Lula chegou a citar os impactos do pedido do juiz no que diz respeito à “memória” de Marisa Letícia. “Faz-se importante abrir um parêntese a fim de registrar que essa equivocada — e inexistente — relação entre aspectos das CDBs e aspectos das debêntures lamentavelmente fomentou a criação de diversas notícias falsas e que atentam contra a memória de D. Marisa Letícia Lula da Silva.”, escreveram.

Em resposta, o PT afirmou que irá denunciar Eduardo Bolsonaro e Regina Duarte nas respectivas comissões de ética que têm competência para julgá-los. Paulo Pimenta, líder da bancada do PT na Câmara dos Deputados, foi quem noticiou a ação do partido.

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