Política
‘Indignação e perplexidade’: Rede reage à decisão de Marina Silva de permanecer no partido
Direção nacional nega tentativa de expulsão de ex-ministra e aponta falta de diálogo
A direção nacional da Rede Sustentabilidade divulgou uma nota na noite de terça-feira 7 em que reage ao anúncio da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva de permanecer no partido. No comunicado, o diretório afirma ter recebido a decisão com “indignação e perplexidade” e contesta a narrativa apresentada pela ex-ministra e por seu grupo.
Segundo a sigla, não houve, em nenhum momento, iniciativa para afastar Marina da Rede, ao contrário do que teria sido sugerido. A direção também acusa a ex-ministra de evitar diálogo com a instância partidária e sustenta que as especulações sobre uma eventual saída partiram exclusivamente dela ou de seu grupo.
A nota reforça que divergências internas não configuram autoritarismo e defende o funcionamento das instâncias partidárias. “Não atender pretensões pessoais de uma liderança não é autoritarismo. É compromisso com a vida democrática interna. Democracia exige respeito às decisões coletivas, e não o direito de uma minoria de paralisar o partido, judicializar impasses políticos ou tentar bloquear suas contas”, diz o texto.
O diretório também rebate acusações de perseguição política feitas por aliados de Marina e critica o que classifica como uso recorrente do Judiciário em disputas internas. Para a direção, não houve sanções ou medidas disciplinares contra a ex-ministra, mesmo em momentos de divergência política no passado.
Apesar do tom, a nota ressalta convergência em pontos centrais da atuação eleitoral neste ano, como o apoio à reeleição do presidente Lula (PT) e à candidatura de Fernando Haddad (PT) em São Paulo.
O posicionamento ocorre após Marina anunciar, na semana anterior, que permanecerá na Rede, partido que ajudou a fundar, mesmo diante de convites de outras legendas e da saída de aliados. A decisão foi acompanhada de declarações em defesa da “reconstrução” dos princípios internos da sigla e de uma “atuação política alinhada à agenda democrática e ambiental”.
O conflito interno se intensificou após a eleição para o comando nacional do partido, em 2025, quando o grupo apoiado por Marina foi derrotado pelo grupo de Heloísa Helena. Desde então, disputas políticas e judiciais entre as correntes internas ampliaram a crise, com decisões judiciais recentes interferindo em deliberações partidárias.
Procurada, a assessoria de imprensa da ex-ministra disse que ela não comentará o caso.
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