Impossível governar com reajuste a servidor, diz Bolsonaro

Presidente critica decisão do Senado de derrubar veto ao congelamento salarial; governo busca apoio do centrão

(Foto: Alan Santos/PR)

(Foto: Alan Santos/PR)

Política

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira 20 ser “impossível governar o Brasil” com reajuste de servidores. Ele criticou a decisão do Senado, dessa quarta-feira 19, de derrubar o veto que garantia o congelamento salarial de integrantes do setor público até o final de 2021.

 

“Ontem o Senado derrubou um veto que vai dar prejuízo de R$ 120 bilhões para o Brasil. Então eu não posso governar um país… Se esse veto [não] for mantido na Câmara”, disse Bolsonaro.” É responsabilidade de todo mundo ajudar o Brasil a sair do buraco”.

A equipe econômica já articula com o centrão uma forma de impedir a aprovação na Câmara. A votação está prevista para esta tarde.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, saiu em defesa do presidente. Ao lado do ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que a manutenção do veto é importante para dar uma sinalização clara em relação ao equilíbrio fiscal.

“A reunião de hoje com os líderes do governo, com os líderes dos partidos, é uma reunião da nossa responsabilidade com o país”, afirmou Maia. “Tinham partidos que são da base, partidos que são independentes… mas todos esses partidos, desde o governo do presidente Michel Temer (MDB), têm trabalhado junto e votado junto o caminho do equilíbrio fiscal, de respeito ao controle de gastos.”

Maia negou que a manutenção do corte seja uma ação contra os servidores.

“Foram R$ 60 bilhões garantindo recursos para o caixa de estados e municípios, para o caixa da saúde de estados e municípios com esse objetivo, para que a saúde pudesse ampliar as suas despesas e para que o salário dos servidores públicos fosse garantido”, disse o parlamentar. “O que nós queremos aqui é deixar claro que a manutenção do veto de forma nenhuma vai contra o servidores, muito pelo contrário, vai a favor do servidor público.”

Aceno à base eleitoral

O congelamento dos salários de servidores foi uma contrapartida pedida por Guedes ao negociar com o Congresso, no primeiro semestre do ano, um pacote de socorro financeiro a estados e municípios, da ordem de R$ 120 bilhões, por causa da crise causada pela pandemia da Covid-19.

Integrantes da equipe econômica argumentam que a derrubada do veto poderia aumentar as despesas da União, estados e municípios em R$ 98 bilhões.

De início, o presidente Bolsonaro divergiu de Guedes e chancelou a tentativa do então líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), de articular uma brecha para poupar certas corporações do congelamento. Estariam inclusos civis e militares, como professores, médicos, enfermeiros, profissionais de limpeza urbana, agentes funerários, policiais e as Forças Armadas.

Após críticas, ele recuou e seguiu orientação do ministro da Economia, vetando esse trecho.

No entanto, Bolsonaro demorou 20 dias para sancionar o projeto do auxílio financeiro a governadores e prefeitos. Nesse tempo, um dia antes de liberar o projeto, assinou uma medida provisória que concedeu reajuste de até 25% para as forças de segurança do Distrito Federal. O aumento custará R$ 505 milhões por ano aos cofres públicos. Os policiais são parte de sua base eleitoral.

Costura com o Centrão

Agora, a equipe econômica de Guedes espera que o novo líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), consiga convencer a maioria dos deputados a manterem o veto, ou seja, impedir reajustes salariais às categorias listadas, como médicos e professores. Barros é ligado ao centrão — grupo de partidos que se aproximou de Bolsonaro principalmente após liberação de cargos e emendas.

É preciso atingir a marca de 257 votos para que um veto seja derrubado na Câmara, que tem 513 deputados. Se 256 votarem contra o veto, mesmo assim ele é mantido.

Controle do orçamento

O presidente Bolsonaro também publicou um vídeo em suas redes sociais, nesta quinta, em que o ministro Paulo Guedes fala sobre a responsabilidade fiscal do País e da necessidade “da política controlar seus orçamentos”. ” Constituição, responsabilidade fiscal e respeito ao teto do limite de gastos!”, escreveu o presidente no texto do post.

 

 

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