Mundo
Hungria, Colômbia e Peru: Planalto monitora influência de Trump sobre eleições
Governo Lula acompanha disputas internacionais como termômetro da direita global e de possíveis interferências externas no pleito brasileiro
O governo Lula (PT) intensificou o monitoramento das eleições em curso na Hungria e no Peru e também o processo eleitoral da Colômbia (que vai às urnas em 31 de maio) para entender como tendências políticas globais – especialmente o avanço da direita, a reorganização da extrema-direita e a atuação de atores externos – podem influenciar a disputa presidencial brasileira deste ano.
A avaliação interna é de que os três processos funcionam como um laboratório internacional. Ainda que distintos, eles ajudam a medir a capacidade de mobilização da direita e o alcance da influência dos Estados Unidos, em especial do presidente Donald Trump, sobre disputas eleitorais fora do seu país.
A eleição na Hungria foi o primeiro grande teste desse acompanhamento. O conservador Péter Magyar venceu a disputa pelo cargo de primeiro-ministro com ampla maioria e encerrou um ciclo de 16 anos de Viktor Orbán no poder. No Palácio do Planalto, a derrota de Orbán foi recebida com alívio por representar um revés para uma das principais referências da direita global e aliado direto de Trump.
A leitura no governo é que o resultado indica um possível enfraquecimento da capacidade de influência internacional do trumpismo, mesmo após gestos explícitos de apoio ao premiê húngaro, como o envio do vice-presidente norte-americano, J.D. Vance, a Budapeste durante a campanha. O episódio foi interpretado como um teste prático sobre o alcance dessa interferência.
Na América Latina, o cenário ainda está em aberto e mantém o grau de atenção elevado. No Peru, a eleição presidencial caminha para um segundo turno após um primeiro turno fragmentado, marcado por falhas logísticas e ausência de um candidato com maioria expressiva. A apuração parcial indica Keiko Fujimori na liderança, enquanto a disputa pela segunda vaga segue indefinida.
Para o Planalto, o caso peruano é particularmente sensível por reunir candidatos de direita e extrema-direita competitivos, como a própria Fujimori e Rafael López Aliaga, que disputam não apenas espaço eleitoral interno, mas também a associação com a agenda política de Trump. A fragmentação e a instabilidade institucional do país – que teve sucessivas trocas de presidentes nos últimos anos – são vistas como fatores que podem favorecer discursos mais radicalizados.
Já na Colômbia, o governo brasileiro observa um cenário ainda indefinido, mas com sinais de disputa acirrada. O pleito é tratado como um teste relevante sobre a continuidade de projetos de esquerda na região, hoje sob pressão de candidaturas de centro e direita. O ambiente de insegurança e a fragmentação política ampliam a imprevisibilidade do resultado.
Além dos processos eleitorais, o Planalto também monitora a movimentação de atores políticos que buscam internacionalizar o debate brasileiro. A aproximação de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) com lideranças da direita dos EUA e a participação em eventos conservadores no exterior são vistas como parte de uma estratégia mais ampla de inserção do Brasil nesse circuito político internacional.
O governo avalia que o cenário externo pode influenciar diretamente a eleição de 2026, seja pelo efeito simbólico de vitórias e derrotas da direita ao redor do mundo, seja por eventuais tentativas de interferência política, inclusive no ambiente digital.
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