Política
Glauber Braga encerra greve de fome após acordo com Hugo Motta
O presidente da Câmara garantiu que o processo de cassação só entrará em votação no plenário pelo menos 60 dias após a análise da CCJ
O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) anunciou, nesta quinta-feira 17, o fim de sua greve de fome, que durou oito dias. A divulgação ocorreu após um acordo firmado com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Antes de Glauber detalhar a decisão em uma coletiva de imprensa, Motta afirmou que a resolução se tornou possível após diálogo com o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), e a deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP), esposa do psolista.
Motta garantiu que a votação do processo de cassação do mandato de Glauber só acontecerá pelo menos 60 dias após a deliberação da Comissão de Constituição e Justiça.
Depois desses dois meses, período em que Glauber fará sua defesa, os deputados “poderão soberanamente decidir sobre o processo”, acrescentou o presidente da Câmara.
A greve de fome de Glauber Braga durou mais de 200 horas. Mais cedo nesta quinta, ele recebeu a visita de médicos que o hidrataram com soro e isotônico.
“Estou suspendendo a greve de fome, mas não estamos suspendendo a luta contra o orçamento secreto, contra o poder oligárquico, pela responsabilização dos assassinos de Marielle e pela responsabilização dos golpistas de plantão”, declarou o parlamentar do PSOL.
Segundo ele, a decisão resultou do que interpreta como “um recuo” de Motta e “uma sinalização importante contra a perseguição que aqui estava operando”.
Em nota, Glauber disse também ter acatado uma decisão da plenária popular que organizou com apoiadores. A assembleia reuniu em torno de 30 pessoas e contou com a presença da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco (PT). De acordo com sua equipe, o deputado perdeu cerca de cinco quilos e agora passará por um protocolo para transição da greve de fome para a alimentação regular.
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