Política
Guerra de manifestos entre a esquerda gaúcha pressiona Lula por unificação
Edegar Pretto, pré-candidato do PT, e Juliana Brizola, do PDT, disputam a cabeça de chapa na corrida pelo governo do Rio Grande do Sul
A disputa entre PT e PDT pela cabeça de chapa na disputa pelo governo do Rio Grande do Sul ganhou novos contornos na segunda-feira 6 . O impasse, que envolve estratégias eleitorais e a construção de alianças para 2026, colocou a direção nacional petista em rota de colisão com o diretório gaúcho e pode levar o presidente Lula a intervir para unificar o palanque no estado.
Enquanto a cúpula nacional do PT defende apoio à pedetista Juliana Brizola – que aparece melhor posicionada nas pesquisas –, a direção estadual insiste na manutenção da candidatura de Edegar Pretto, já aprovada internamente e sustentada por uma frente com partidos aliados.
Em contrapartida, Juliana sinalizou que aceitaria uma composição com o PT, oferecendo a vaga de vice e o apoio aos dois nomes petistas ao Senado em sua chapa.
A crise se intensificou com a divulgação de manifestos públicos. De um lado, Juliana Brizola lançou um documento em defesa da unidade em torno de um palanque único para Lula no estado. No texto, a pedetista argumenta que a fragmentação pode comprometer o desempenho eleitoral e afirma ter melhores condições de vitória: “Reúno, dentro do nosso campo, as melhores condições eleitorais, tanto no primeiro, mas especialmente no segundo turno das eleições”.
O manifesto também marcou um movimento relevante: a saída do PDT do governo estadual. Segundo o texto, a decisão foi tomada como parte da construção de uma alternativa eleitoral. “Decidiu desligar-se do atual governo estadual como passo necessário para construir uma alternativa livre, coerente e comprometida com o desenvolvimento econômico e justiça social”, afirma.
Aliados de Edegar Pretto reagiram com um contra-manifesto assinado por dirigentes de partidos como PT, PSOL, PSB, PV e Rede. O documento critica a possibilidade de retirada da candidatura petista e aponta riscos políticos na mudança de estratégia. “A eventual desarticulação dessa frente acarretaria desmobilização e frustração de uma base social”, diz o texto, que também acusa uma possível imposição “sem diálogo e sem transparência”.
A reação vai além e mira diretamente o histórico político do PDT no estado. Segundo os signatários, a substituição de Pretto por Juliana significaria trocar “uma frente plenamente identificada com o presidente Lula” por uma candidatura que, na avaliação do grupo, “não esteve na linha de frente da defesa e da divulgação das ações do governo federal”.
O próprio Pretto tem reforçado publicamente sua posição. Ele afirma que sua candidatura está consolidada e alinhada ao projeto nacional petista. “Não sou candidato de mim mesmo, sou cumpridor de tarefas coletivas”, declarou, ao destacar que sua estratégia seria a mais favorável ao presidente.
Pressão nacional e risco de intervenção
A escalada do conflito levou a direção nacional do PT a aumentar a pressão sobre o diretório gaúcho. O presidente da sigla, Edinho Silva, defende abertamente a aliança com o PDT e critica a manutenção de dois palanques no estado. Para ele, a divisão pode ter custos eleitorais elevados.
Nos bastidores, a avaliação é que, sem acordo, a cúpula partidária poderá intervir diretamente no diretório estadual para impor a decisão – movimento que, na prática, dependeria do aval de Lula, principal interessado na construção de uma base unificada para sua reeleição.
A intervenção é considerada uma medida extrema, mas ganha força diante do risco de fragmentação. Isso porque o impasse já ameaça provocar novas rupturas. O PSOL, por exemplo, sinaliza que pode lançar candidatura própria caso o PT abra mão de Pretto, o que ampliaria ainda mais a divisão no campo progressista.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.
O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.
Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.
Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.
Leia também
As intenções de voto para o governo e o Senado no RS, segundo nova pesquisa
Por CartaCapital
Centrão fala em neutralidade, mas articulações nos estados favorecem Flávio Bolsonaro
Por Vinícius Nunes e Wendal Carmo




