Guedes repete ofensa machista de Bolsonaro a Brigitte Macron: “É feia mesmo”

Ministro da Economia reforçou ataque do presidente Jair Bolsonaro à primeira-dama francesa

Foto: Isac Nóbrega/PR

Foto: Isac Nóbrega/PR

Política

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse, nesta quinta-feira 5, que a esposa do presidente Emmanuel Macron, Brigitte Macron, “é feia mesmo”. A declaração ocorreu durante palestra no evento “A Nova Economia do Brasil – o impacto para a região Nordeste”, realizado na cidade de Fortaleza, no estado do Ceará.

Em seu discurso, Guedes reclamava sobre a falta de atenção dada ao que chamou de “progresso em várias frentes” do governo e criticou a polêmica em torno do episódio em que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) ofendeu a primeira-dama da França.

“Eu tô vendo o progresso em várias frentes, mas nada disso… é… tudo isso é assim… a preocupação é assim: xingaram a [comissária da Organização das Nações Unidas, Michele] Bachelet, xingaram a mulher do Macron, chamaram a mulher de feia. Macron falou que tão botando fogo na floresta brasileira e o presidente devolveu: ‘que a mulher dele é feia, por isso ele tá falando isso’. Tudo bem, é divertido, não tem problema nenhum. É tudo normal e é tudo verdade. O presidente falou mesmo, e é verdade mesmo, a mulher é feia mesmo”, disse.

Em 24 de agosto, Bolsonaro endossou um comentário de um internauta em sua publicação no Facebook, que zombava da esposa de Macron, 24 anos mais velha que o presidente francês. O seguidor postou foto que comparava o casal com Bolsonaro e Michele, esta 27 anos mais jovem que o marido. Em resposta ao usuário, o presidente brasileiro escreveu: “Não humilha cara. Kkkkkkk”.

A frase de Bolsonaro viralizou no mundo e a imprensa francesa o acusou de sexismo. Como protesto, mulheres brasileiras lançaram a hashtag #DesculpaBrigitte em 26 de agosto e afirmaram vergonha em ter o Brasil governado por um presidente machista. A primeira-dama francesa agradeceu em português, em 29 de agosto, aos brasileiros que se mobilizaram após o comentário ofensivo.

“Para além de mim mesma, é por todas as mulheres. Todas as mulheres se viram afetadas. As coisas estão mudando. Todo o mundo deve estar consciente disso. Há coisas que não se pode mais dizer e coisas que não se pode mais fazer”, afirmou. “Espero que ouçam isso. Me emocionou muito.”

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