No Grupo de Puebla, Dilma critica o neoliberalismo e Lula pede que América Latina busque independência

'Nós não podemos ficar entre a grandeza americana e a chinesa', disse o ex-presidente durante o encontro 'América Latina Mudou'

Foto: Ricardo Stuckert

Foto: Ricardo Stuckert

Política

Os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff participaram, nesta sexta-feira 29, da quinta reunião do Grupo de Puebla, fórum político e acadêmico ibero-americano criado em 2019.

 

 

Lula discursou virtualmente nesta tarde. Segundo ele, “a América Latina precisa definitivamente encontrar o seu caminho”.

“Nós não podemos ficar entre a grandeza americana e a chinesa, na nossa pequenez. Temos que ter independência”, afirmou. Lula também demonstrou ceticismo quanto ao governo de Joe Biden nos Estados Unidos, ressaltando que “Obama fez belos discursos e pouca coisa andou” e que o novo presidente “fala de tudo o que qualquer um de nós falaria”.

Dilma Rousseff, por sua vez, enfatizou em sua participação que “o neoliberalismo é responsável pela forma não equânime (da distribuição de riquezas), afetando pobres, negros, mulheres e indígenas”. No Brasil, em particular, ela acredita que “a democracia está totalmente corroída”.

A ex-presidenta também declarou que o grupo não deve classificar como “golpes brandos” os processos que levaram à sua queda, em 2016, à do paraguaio Fernando Lugo, em 2012, e à do boliviano Evo Morales, em 2019. “O fato de o golpe não ser com tanque nas ruas não significa brandura nenhuma”.

Além de Lula e Dilma, participam da reunião outros nove ex-presidentes – entre eles, Rafael Correa, Ernesto Samper, Leonel Fernández, Fernando Lugo e José Luis Rodríguez Zapatero – e 50 figuras de liderança na América Latina.

O encontro, intitulado “América Latina Mudou”, debateu um manifesto progressista, documento organizado pelos fundadores do Grupo de Puebla e pelo braço acadêmico do fórum, que está em construção.

 

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