Política

Paralisação

Greve geral mobiliza o País contra reformas de Temer

por Redação — publicado 27/04/2017 17h48
Centrais sindicais denunciam perdas de direitos dos trabalhadores nas mudanças feitas na legislação trabalhista e na Previdência
Valter Campanato / Agência Brasil
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Uma greve geral convocada pelas maiores centrais sindicais brasileiras busca chamar a atenção do País nesta sexta-feira 28 para duas das principais propostas do governo de Michel Temer, a reforma trabalhista e a reforma da Previdência. Inúmeras categorias vão aderir ao movimento que denuncia mudanças na legislação e Constituição percebidas como prejudiciais aos trabalhadores.

A greve foi convocada por oito centrais sindicais: CUT, UGT, CTB, Força Sindical, CSB, NCST, Conlutas e CGTB. Juntas, elas representam mais de 10 milhões de trabalhadores. Além de centrais opositoras ao atual governo, como a CUT, ligada ao PT, a paralisação contará também com aquelas tidas como aliadas de Michel Temer, como a Força Sindical. Comandada pelo deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (SD-SP), a Força ameaça romper com o governo caso o fim do imposto sindical seja confirmado.

Também estão a favor da greve as frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, ambas do campo da esquerda, que surgiram para lutar contra o impeachment de Dilma Rousseff. Pesa a favor do movimento também a pressão de diversos setores da Igreja Católica.

Diversos bispos convocaram seus fiéis para a greve e, na quarta-feira 25, o secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Leonardo Steiner, afirmou que o Executivo e o Congresso são pouco sensíveis às manifestações da sociedade sobre as mudanças na Previdência e na legislação trabalhista.

A reforma trabalhista foi aprovada na noite de quarta-feira 26, com 296 votos favoráveis e 177 contrários. O texto seguirá para o Senado, onde as centrais sindicais apostam em Renan Calheiros (PMDB-AL) para barrar as mudanças drásticas feitas na Consolidação das Leis do Trabalho.

Os 296 votos foram suficientes para aprovar a reforma trabalhista, que tramita como um projeto de lei, mas são menos que os 308 necessários para aprovar mudanças na Constituição. Essa margem será necessária para o governo aprovar as mudanças na Previdência, que devem ir ao plenário da Câmara em maio.

A Comissão Especial da Reforma da Previdência adiou para a semana que vem o final da discussão do relatório do deputado Arthur Maia (PPS-BA). O presidente da comissão, deputado Carlos Marun (PMDB-MS), disse que pretende terminar a lista de inscritos na terça-feira 2 e votar o substitutivo até quinta-feira 4.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que agora vai trabalhar para conseguir os votos necessários para aprovar a reforma da Previdência. Maia lembrou que, nas últimas semanas, houve problemas na articulação das votações, principalmente na base de apoio do governo, mas ressaltou que, graças a uma "reorganização" o projeto da reforma trabalhista teve 296 votos.

Questionado por jornalistas sobre o fato de o número de votos a favor da reforma trabalhista não ser suficiente para aprovar a reforma da Previdência, Maia respondeu que ainda há tempo para atuar junto aos deputados em favor da aprovação. 

Além de cargos, uma das moedas de troca do governo na busca pela aprovação da reforma da Previdência deve ser a compra de apoio parlamentar por meio de anúncios publicitários em veículos de imprensa que concordem em falar bem da reforma da Previdência. Ficará a cargo dos deputados e senadores escolher os veículos de comunicação para elogiar a reforma da Previdência.