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Governo Milei diz que analisará caso a caso pedidos de refúgio de foragidos do 8 de Janeiro

Porta-voz também não confirmou que a gestão do ultradireitista fornecerá informações solicitadas pelo Brasil

Atos de vandalismo durante o 8 de Janeiro. Foto: Joédson Alves / Agência Brasil
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A Argentina avaliará caso a caso pedidos de refúgio de brasileiros investigados, acusados ou condenados por envolvimento nos atos golpistas de 8 de Janeiro de 2023, informou nesta segunda-feira 10 o porta-voz da Presidência, Manuel Adorni.

Ele também não confirmou que o governo do ultradireitista Javier Milei fornecerá informações solicitadas pelo Brasil. Adorni acrescentou que a Comissão Nacional para Refugiados analisará a legalidade e a viabilidade jurídica de cada caso.

“Em princípio, cumprimos a lei e, nesse caso, se houver criminosos na Argentina, nas condições mencionadas, será seguido o caminho legal correspondente.”

Desde 1961, vigora um tratado bilateral entre Brasil e Argentina que permite a entrega de fugitivos. O acordo foi reafirmado pelos dois países ao ingressarem no Mercosul, em 1998. 

Segundo a lei argentina, no entanto, os pedidos poderão ser rejeitados quando houver “interesses políticos essenciais para a Argentina” envolvidos.

“A legislação argentina confere uma margem para apreciação política do pedido de extradição ainda na esfera do Poder Executivo”, explicou a CartaCapital Márcia Costa Misi, professora de Direito Internacional da Universidade Estadual de Feira de Santana, na Bahia.

A Polícia Federal trabalha na identificação dos brasileiros ligados ao 8 de Janeiro que estão na Argentina. Posteriormente, as informações chegarão ao Supremo Tribunal Federal, responsável por emitir as eventuais ordens de extradição. Cabem ao Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional, ligado ao Ministério da Justiça, os trâmites referentes aos pedidos de repatriação.

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