Economia

Gaspar finaliza relatório da CPMI do INSS e tenta mirar o governo Lula

O deputado também implicará alvos midiáticos como Careca do INSS, Alessandro Stefanutto e Lulinha

Gaspar finaliza relatório da CPMI do INSS e tenta mirar o governo Lula
Gaspar finaliza relatório da CPMI do INSS e tenta mirar o governo Lula
O relator da CPMI do INSS, Alfredo Gaspar (União Brasil-AL). Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
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As quase seis mil páginas do relatório final da CPMI do INSS devem vir a público na próxima quarta-feira 25, quando o relator Alfredo Gaspar (União-AL) apresentará o texto aos seus colegas. A expectativa é que o deputado leia um resumo do documento e que ele entre em votação no dia seguinte.

Tudo pode mudar se o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, acatar o mandado de segurança protocolado para prorrogar os trabalhos do colegiado por 60 dias. Por ora, a expectativa entre os integrantes da CPMI é que o magistrado decida contra a continuidade. 

Na quarta-feira, portanto, Gaspar deve elencar “fatos, dados e provas” que o levaram a elaborar um parecer pelo indiciamento de mais de 200 pessoas.

Nas páginas do relatório, o relator alegará que houve uma suposta facilitação do governo Lula (PT) para as fraudes do INSS, bem como uma ampliação dos crimes contra aposentados e pensionistas a partir da posse do petista, em 2023. O relator, no entanto, começa a “linha do tempo” das fraudes por uma ótica da oposição, que culpa a atual gestão federal pelo boom dos descontos associativos.

Segundo as investigações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União, as fraudes começaram em 2017, durante o governo Michel Temer (MDB), e se intensificaram entre 2019 e 2021, sob o governo de Jair Bolsonaro (PL), ocorrendo nesse triênio a maior parte de acordos assinados entre associações e associados. 

Com a posse de Lula e a nomeação de Carlos Lupi (PDT) como ministro da Previdência, muitas das pessoas já investigadas pelo esquema continuaram nos cargos do INSS. Em 2025, com a deflagração da Operação Sem Descontotornaram-se públicas as suspeitas de fraude. Ao menos 11 entidades foram alvo da PF na primeira fase da ação.

Pedidos de indiciamento

Dentre os pedidos de indiciamento elaborados por Alfredo Gaspar, estão figuras de grande apelo midiático e que tiveram, segundo o relator, forte atuação para a manutenção das fraudes. Mesmo sem muitas evidências, o filho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, deve ser um dos implicados por Gaspar no relatório.

Lulinha não prestou depoimento, nem teve seus dados acessados pela CPMI. Mesmo assim, sua proximidade com o “Careca do INSS”, Antônio Camilo Antunes, deve colocá-lo no texto.

O Careca, inclusive, será apontado como criminoso pelo relatório – ao lado do ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, terá uma participação menos expressiva no texto final. Ele será citado como um dos que assistiram aos descontos irregulares com o mercado financeiro, mas sem atuação direta com os crimes investigados. 

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