Frente unificada apresenta superpedido de impeachment contra Bolsonaro

Alessandro Molon, Joice Hasselmann e Kim Kataguiri fizeram discursos contra o presidente durante ato em Brasília

O deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ) destacou a amplitude da frente que assina o pedido. Foto: Reprodução

O deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ) destacou a amplitude da frente que assina o pedido. Foto: Reprodução

Política

Uma frente que reúne parlamentares e movimentos sociais protocolou um superpedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro, nesta quarta-feira 30. O documento tem mais de 200 páginas e aponta 23 crimes cometidos pelo chefe do Planalto, relacionados a atentados contra instituições e a negligências na saúde.

 

 

 

O texto, com 46 signatários, juntou as principais acusações dos mais de 100 pedidos de impeachment já protocolados na Câmara dos Deputados. A decisão de abrir o processo de impedimento, no entanto, é de Arthur Lira (PP-AL), que já sinalizou que não autorizará a tramitação.

“Aqui há parlamentares e cidadãos de centro, de esquerda e de direita”, destacou o líder da oposição, deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), durante ato em Brasília. “O mais grave é ver o governo vender a vida dos brasileiros por 1 dólar”, afirmou, após o jornal Folha de S. Paulo publicar relato de vendedor de vacina sobre pedido de propina pelo governo federal.

Ex-líder do governo no Congresso, a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) comparou a conduta de Bolsonaro na pandemia aos atentados contra Hiroshima e Nagasaki.

“Genocida é a palavra. Bolsonaro jogou bombas no nosso País”, declarou. “Nunca mais, mas nem com uma arma na cabeça, esse homem leva um voto meu.”

Kim Kataguiri (DEM-SP) afirmou que não estaria ao lado da esquerda em um palanque se a democracia estivesse em “condições normais”, porém, recusar-se a participar representaria mesquinhez.

“Eleitoralmente, estaremos muito em breve em campos distintos”, disse Kataguiri. “Mas como seria a minha pequenez se eu me negasse a fazer parte e a continuar com o ideal de derrubar um dos presidentes da República mais criminosos da história do País, em razão de picuinha ideológica?”, completou.

Entre outros presentes, estavam a presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PR), a líder do PSOL na Câmara, Talíria Petrone (RJ), o presidente da União Nacional dos Estudantes, Iago Montalvão, e o líder da Coalizão Negra por Direitos, Douglas Belchior.

“Esse chamado superpedido é resultado de um esforço plural de sistematização e de aglutinação de forças políticas e sociais de diversos matizes”, disse Mauro Menezes, advogado e membro da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia.

A apresentação do superpedido antecede os atos contra Bolsonaro convocados para o próximo sábado 3. Os protestos estavam previstos para 24 de julho, mas foram antecipados em razão dos recentes escândalos que envolvem as vacinas contra a Covid-19.

 

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Repórter do site de CartaCapital

Compartilhar postagem