Política

Forças Armadas reproduzem discurso de Bolsonaro e questionam TSE sobre eleição

Em ofícios ao tribunal, general fez menção à possibilidade de uma apuração paralela

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O general representante das Forças Armadas na Comissão de Transparência do Tribunal Superior Eleitoral, Heber Garcia Portella, enviou à Corte nos últimos oito meses 88 questionamentos sobre supostos riscos e fragilidades que possam existir no processo eleitoral. A informação é do jornal O Estado de S. Paulo.

A maioria das perguntas teria como pano de fundo argumentos usados pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) para descredibilizar a Justiça Eleitoral e o processo de votação. 

Os ofícios sigilosos assinados por Portella têm sido respondidos regularmente pela Corte eleitoral. O general foi designado para o cargo pelo então ministro da Defesa, Walter Braga Netto, cotado para ser candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro. 

Um dos questionamentos diz respeito à existência de uma sala secreta para apuração de votos. Na pergunta, o general indaga sobre a possibilidade de uma contagem paralela feita pelas Forças Armadas. A sugestão foi dada por Bolsonaro na quarta-feira 27.

Entre os demais ofícios enviados ao TSE também constam dúvidas sobre os testes de integridade das urnas eletrônicas e sobre o nível de confiança no sistema de voto e apuração. Os militares também perguntaram se o pleito poderá ser decidido por um número menor de votos do que os habitualmente registrados em eleições anteriores, caso parte das urnas eletrônicas deixem de funcionar.

O papel mais ativo das forças militares no processo eleitoral tem sido incentivado por Bolsonaro durante seu mandato. Ainda em julho de 2021, Braga Netto enviou um recado para os presidentes do Congresso de que não haveria eleições caso a proposta de voto impresso não fosse aprovada pelo Legislativo.

Apesar das alegações do ex-capitão, nunca foi apresentado nenhum indício que pudesse colocar em dúvida a segurança das urnas eletrônicas e a atuação do TSE. 

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