Política
Fim do prazo de desincompatibilização redefine governos estaduais e a Esplanada dos Ministérios
Saída de 17 ministros e 11 governadores para disputar eleições reorganiza o tabuleiro político a seis meses do pleito
O fim do prazo de desincompatibilização, no sábado 4, provocou uma reconfiguração simultânea no governo federal e nos estados. Ao todo, 17 ministros deixaram a gestão do presidente Lula (PT), enquanto 11 governadores renunciaram aos cargos para entrar na disputa eleitoral de outubro.
Na Esplanada, as saídas atingiram nomes centrais do governo, como Fernando Haddad (Fazenda), Geraldo Alckmin (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais). Também deixaram os cargos Carlos Fávaro (Agricultura e Pecuária), Renan Filho (Transportes), Rui Costa (Casa Civil) e Simone Tebet (Planejamento).
Outros ministros que se desincompatibilizaram foram André Fufuca (Esporte), Anielle Franco (Igualdade Racial), Camilo Santana (Educação), Jader Filho (Cidades), Macaé Evaristo (Direitos Humanos), Márcio França (Empreendedorismo), Marina Silva (Meio Ambiente), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário), Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas).
A substituição foi feita, em sua maioria, por secretários-executivos, numa tentativa de garantir continuidade. Ainda assim, as mudanças têm impacto político direto, ao reforçar a estratégia do Planalto de ampliar palanques regionais aliados.
Nos estados, o movimento foi puxado por governadores que buscam, sobretudo, uma vaga no Senado. Deixaram os cargos Antonio Denarium (Roraima), Helder Barbalho (Pará), Ibaneis Rocha (Distrito Federal), João Azevêdo (Paraíba), Wilson Lima (Amazonas), Mauro Mendes (Mato Grosso), Renato Casagrande (Espírito Santo) e Gladson Cameli (Acre).
Já Romeu Zema (Minas Gerais) e Ronaldo Caiado (Goiás) entraram na corrida presidencial, enquanto Cláudio Castro (Rio de Janeiro) também renunciou em meio a questionamentos sobre sua elegibilidade.
Com isso, os vices assumem os governos e devem, em muitos casos, disputar a reeleição, mantendo a estrutura política dos atuais grupos. As mudanças também abrem espaço para novas lideranças ganharem visibilidade às vésperas da campanha.
A saída dos cargos, no entanto, é apenas uma etapa formal do processo eleitoral. As candidaturas só serão confirmadas em agosto, após as convenções partidárias e o registro na Justiça Eleitoral.
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