Política
Filhos de famílias pobres tem apenas 2,5% de chance de chegar ao topo da pirâmide, aponta estudo
Essa baixa mobilidade é consequência das desigualdades sociais, regionais e de renda, que contribuem para a perpetuação do sistema que privilegia o status quo
Das crianças nascidas em famílias pobres, a metade continuará na mesma situação quando adulta.
Entre os filhos de famílias mais pobres, a probabilidade desses jovens continuarem nas mesmas condições sociais e econômicas é de 46,1%. Para crianças pretas ou pardas, o percentual de permanência na pobreza sobre para 52,8.
A chance de escapar da pobreza e melhorar de vida é ainda menor: de apenas de 2,5%.
Essas duras conclusões são apontadas dos pesquisadores Diogo Britto, Alexandre Fonseca, Paolo Pinotti, Breno Sampaio e Lucas Warwar por meio do Gappe (Grupo de Avaliação de Políticas Públicas e Econômicas) da Universidade Federal de Pernambuco, em parceria com a unidade de análise econômica do crime da Universidade de Bocconi, na Itália.
O estudo mostra que o percentual de jovens que conseguem atingir o topo da estrutura social e de renda em uma única geração é bem menor no Brasil do que em países desenvolvidos.
Essa baixa mobilidade é consequência das desigualdades sociais, regionais e de renda, que contribuem para a perpetuação do sistema que privilegia o status quo, assegurando a permanência do grupo mais rico no topo da pirâmide social.
“Uma parte do Brasil sustenta o discurso de que se você se esforçar na vida, você se dá bem”, diz o economista Breno Sampaio, um dos autores da pesquisa. “O estudo coloca uma interrogação nisso.”
“Somos uma sociedade bastante desigual em termos de oportunidade. O esforço não significa sucesso”, conclui o pesquisador.
O estudo usou dados de diversos bancos de dados do País, como o Censo Demográfico A Relação Anula de Informações Sociais, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, o Cadastro Único e dados da Receita Federal.
A metodologia adotada analisa as condições sociais e de renda de jovens entre 25 e 31 anos e mede o efeito de permanência entre da estratificação social em que nasceram.
A conclusão do estudo aponta que existe uma correlação de dependência entre a condição dos pais e o patamar de renda dos filhos. No caso de sociedade menos desiguais, a correlação é menor.
“Existe uma loteria no nascimento. As crianças que tiveram a sorte de nascer em famílias com pais mais ricos estão, em média, se dando muito melhor do que aquelas que nasceram com pais mais pobres”, completa o pesquisador Diogo Britto. “Isso é um mau sinal para se pensar em meritocracia.”
O caso das meninas
Os dados ainda revelam outra faceta da realidade social do Brasil. Entre as filhas de famílias pobres existe até 13% mais chances de ter uma gravidez na adolescência e 7,2% de probabilidade de graduação em ensino superior.
Profissões com maiores rendimentos, como advocacia e medicina, serão realidades para apenas 0,02% das meninas nascidas em lares vulneráveis.
“Se a pessoa nasce na favela e sabe que vai ser pobre ou miserável a vida toda, ela pode escolher outros caminhos. As pessoas podem ir para a criminalidade. Tem pessoas com alto potencial que estão sendo desperdiçadas”, afirma Fonseca.
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