Política

Filha de Ricardo Barros atua em estatal com contratos firmados pelo pai

Raffaelle Barros foi nomeada apenas 20 dias depois da saída de Barros da Saúde. A função é diretamente ligada ao contrato firmado pelo pai

Elza Fiúza/Agência Brasil/Fotos Públicas
Elza Fiúza/Agência Brasil/Fotos Públicas

Raffaelle Kasprowicz Barros, filha do líder do governo Jair Bolsonaro na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), ganhou um cargo em uma estatal com contratos com o Ministério da Saúde dias depois do parlamentar deixar o posto de ministro da pasta. A informação foi revelada pela Folha de S. Paulo.

O caso ocorreu em março de 2018 e reforça a ligação de Barros com outros investigados na CPI da Covid no Senado. À época, o presidente da estatal Bahiafarma era Ronaldo Dias, primo de Roberto Ferreira Dias, apontado como operador da propina das vacinas pela investigação.

Segundo a publicação, Raffaelle ocupa o cargo de assessora especial da presidência da estatal desde março de 2018 com vencimentos que chegam a 10 mil reais por mês. Ela foi nomeada ao posto apenas 20 dias depois de Barros deixar o Ministério, onde antes assinou contratos de testes diversos e produção de insulina em favor da empresa.

A filha do deputado, ainda de acordo com o jornal, também acumula a função com o trabalho de nutróloga, pelo qual atende em consultório particular duas vezes por semana. Ela também é dona de uma escola particular em Salvador.

A própria estatal confirmou que é Raffaelle quem comanda o contrato de produção de insulina firmado pelo pai enquanto esteve na Saúde. No momento, o fornecimento está suspenso após a Anvisa reprovar o laboratório que iria produzir a insulina.

O contrato prevê o fornecimento de insulina pela Bahiafarma produzida em parceria com o Indar, um laboratório ucraniano. A empresa, no entanto, foi reprovada após visita técnica da Anvisa, realizada um mês antes do contrato firmado entre governo federal e a empresa.

Outras irregularidades com o fornecimento de insulina do Indar também são apuradas pelo Tribunal de Contas da União. A suspeita do TCU é de antieconomicidade na parceria com a empresa ucraniana. O tribunal apura possíveis prejuízos em acordos firmados entre o Indar, a Fiocruz e a Bahiafarma.

O outro contrato fechado pela estatal com o governo federal também possui irregularidades. Em 2019, a Anvisa suspendeu o uso de testes de dengue, chicungunya e zika fornecidos pela empresa ao governo federal. Na ocasião, a agência alegou problemas de qualidade. Segundo informou, os testes comprados da empresa davam resultados de falso negativos e a produção dos itens foi interditada.

Em nota ao jornal, o Ministério da Saúde afirma que o contrato com a Bahiafarma está sendo avaliado. Raffaelle, filha de Barros, alegou que sua contratação foi feita pelo seu currículo, sem qualquer intermediação do pai. Ela também diz que suas outras empresas não interferem na função que desempenha na estatal, já que não exigem sua participação para seguirem em atividade.

Barros, por sua vez, também alegou que não indicou a filha ao cargo e que as atividades desempenhadas por ela não tem vinculação política com ele, nem com seu partido, o PP.

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