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Figuras públicas se solidarizam com Jean Wyllys

Diversidade,Política

Ao informar que não assumirá o terceiro mandato parlamentar por sofrer ameaças de morte, Jean Wyllys, do PSOL, gerou uma onda de reações de figuras públicas, entidades, apoiadores e também de opositores do deputado. Segundo a assessoria, o deputado está no exterior e, diante das ameaças, não retornará ao Brasil.

Em sua página nas redes sociais, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) disse estar “profundamente indignado” com a situação que levou o deputado eleito Jean Wyllys (PSOL-RJ) a renunciar o mandato.

“Estou profundamente indignado com a situação que leva um jovem parlamentar a não se sentir mais seguro em seu país e ter que ir embora para o exterior enquanto as autoridades brasileiras descambam para a canalhice pura e simples”, escreveu Ciro

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA), também lamentou a saída do deputado do país. Em novembro do ano passado, a CIDH havia solicitado que o governo brasileiro tomasse medidas para proteger a vida do deputado do PSOL. Antonia Urrejola, comissária da Assembleia Geral da OEA, falou pela entidade no Twitter.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), divulgou uma nota lamentando a decisão do deputado Jean de não tomar posse para o novo mandato. Maia acrescentou, na nota, que ninguém pode ameaçar um deputado e “sentir-se impune”.

“Lamento a decisão tomada pelo deputado Jean Wyllys. Como presidente da Casa, e seu colega na Câmara, mesmo estando em posições divergentes no campo das ideias, reconheço a importância do seu mandato. Nenhum parlamentar pode se sentir ameaçado, ninguém pode ameaçar um deputado federal e sentir-se impune”, afirmou Rodrigo Maia na nota.

Manuela D’Ávila, que foi candidata a vice-presidência e também recebeu ameaças, se solidarizou com a decisão do colega. No Instagram, Manuela afirmou que “Não sabem que, se tivermos que andar com o vidro fechado, sem tomar o vento na cara, já morremos um pouco. E não queremos morrer nada!!!”

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Meu querido amigo Jean, Li sua entrevista para a Folha com o coração na garanta e os olhos molhados. Coração e lágrimas que marcam nossa amizade e militância comum. São anos de uma amizade linda marcada por nossas dores comuns: a dor da solidão em Brasília, a dor da violência das mentiras, do preconceito, do machismo, da homofobia. Da raiva que provocamos com nossa simples existência e luta nos vermes que tomaram a política em nosso país. Leio essa notícia e me lembro de nossas mensagens recentes. Da felicidade de podermos existir – frações de segundo – sem a quantidade de ódio que projetam sobre nos. Difícil explicar a eles porque não suportamos a pretensa segurança dos carros blindados, das escoltas. Eles não sabem como lutamos pela nossa liberdade! Como nossa existência é construída em cada vivência! Não sabem como o menino Jean “apanhou” pra brilhar e para não morrer de fome. Não sabem que, se tivermos que andar com o vidro fechado, sem tomar o vento na cara, já morremos um pouco. E não queremos morrer nada!!! Você foi meu ombro amigo quando eu decidi voltar pra perto de casa, abrindo mão de Brasília. Eu vivia o meu limite e queria estar perto daquilo que amo. Fico feliz que agora você tenha optado por cuidar de si diante da enxurrada de ameaças que sofre. Você, corajoso como sempre, ao decidir abrir mão do mandato e sair do Brasil desnuda por todos nós, meu amigo querido, o terror em que vivemos, o ambiente fascistoide que tomou conta da sociedade brasileira. Fico Feliz que cuide De sua cabeça e de seu coração. De sua saúde. De sua sanidade. Só assim você brilhará com a intensidade que tem. E sua luz, meu amigo querido, deixa cego aqueles que carregam apenas ódio e preconceito dentro de si. Te amo. Seguimos juntos. Dedico a você “Ela e eu”, a música que você cantou lindamente para mim no lançamento de minha candidatura Há flores de cores concentradas Ondas queimam rochas com seu sal Vibrações do sol no pó da estrada Muita coisa, quase nada Cataclisma, os carnaval Há muitos planetas habitados E o vazio da imensidão do céu Bem e mal, e boca e mel E essa voz que Deus me deu Mas nada é igual a ela e eu Lágrimas encharcam minha cara (Segue abaixo)

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Críticas

O músico Lobão, apoiador de Jair Bolsonaro e do Movimento Brasil Livre (MBL), acusou Jean Wyllys de relação com atentado ao presidente Jair Bolsonaro.

“Essa parada de Jean Willis (sic)  sair do Brasil e deixar a vida pública só levanta sérias suspeitas sobre seu envolvimento na tentativa de assassinato a Jair Bolsonaro. Deve ser investigado imediatamente. Esse papo é lorota”, tuitou Lobão

Apoiadores de Bolsonaro começaram um movimento que colocou a hashtag #InvestigarJeanWillis no Trending Topics Brasil – os assuntos mais comentados – no Twitter. Sim, tanto Lobão como os criadores da hashtag escreveram errado o nome do deputado…

O presidente também foi criticado por políticos da oposição por ter publicado um Twitter logo após o anuncia de Jean afirmando que aquele era “Grande dia”.

Após a repercussão negativa, o presidente afirmou que a mensagem não era uma ironia a decisão do deputado, mas se referia ao fim dos trabalhos em Davos.

A decisão do deputado

Em uma rede social, Jean Wyllys publicou nesta quarta 24: “Preservar a vida ameaçada é também uma estratégia da luta por dias melhores. Fizemos muito pelo bem comum. E faremos muito mais quando chegar o novo tempo, não importa que façamos por outros meios! Obrigado a todas e todos vocês, de todo coração. Axé!”

Homossexual assumido, Jean Wyllys tinha como principais bandeiras pautas relacionadas às causas LGBT e para minorias.A posse dos deputados eleitos está marcada para 1º de fevereiro. Jean Wyllys recebeu 24.295 votos na última eleição, em outubro.

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