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Fantasia de ‘moderado’ não ergue onda pró-Flávio entre a direita não bolsonarista

É o que sugere a rodada mais recente da pesquisa AtlasIntel, divulgada nesta quarta-feira 29

Fantasia de ‘moderado’ não ergue onda pró-Flávio entre a direita não bolsonarista
Fantasia de ‘moderado’ não ergue onda pró-Flávio entre a direita não bolsonarista
O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, na convenção nacional do PL, em 25 de julho de 2026. Foto: Nelson Almeida/AFP
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Ungido pelo PL como postulante a presidente, o senador Flávio Bolsonaro vestiu a fantasia de “equilibrado” na pré-campanha. Na convenção partidária que formalizou sua candidatura, no último sábado 25, disse ter “sangue de Bolsonaro”, apesar de ser “mais calmo, mais sorridente, mais tranquilo e moderado”. A estratégia, porém, não tem servido — ao menos por ora — para fazer sua candidatura deslanchar entre a direita não bolsonarista e o chamado eleitorado ‘independente’. É o que sugere a rodada mais recente da pesquisa AtlasIntel, divulgada nesta quarta-feira 29.

Lula lidera as intenções de voto gerais com 44,9% no primeiro turno, ante 35,8% de Flávio, um cenário de estabilidade frente às sondagens anteriores. Uma análise mais detida emite outros sinais negativos para o senador: no eleitorado independente, a vantagem do presidente é de 48,1% a 31,6% — em terceiro, neste subgrupo, vem Renan Santos (Missão), com 7,5%. Já entre a direita não bolsonarista, Flávio lidera, mas estaciona nos 53,6%, enquanto Renan marca 28,6% — Romeu Zema (Novo), com 7,8%, e Ronaldo Caiado (PSD), com 7,5%, também registram números relativamente expressivos.

Se Flávio tropeça na direita não bolsonarista, Lula navega tranquilo entre a esquerda não lulista, com 79,6% das intenções de voto. É um resultado esperado, uma vez que não há outra candidatura competitiva no campo progressista. Por fim, entre os eleitores que não sabem definir seu posicionamento político, o candidato do PT desponta com 41%, contra 16,2% de Flávio.

“Flávio consegue solidificar a candidatura em torno do bolsonarismo, mas a direita não bolsonarista está fragmentada”, enfatiza o chefe de Risco Político e Análise Política do instituto AtlasIntel, Yuri Sanches, em conversa com CartaCapital. “Há sérias dúvidas na direita não bolsonarista se Flávio realmente seria o melhor candidato.”

Trata-se, destaca Yuri, de um desafio extra para o candidato do PL: além de manter sua base unida, precisa avançar sobre os independentes e a direita não alinhada ao bolsonarismo. Os demais concorrentes de direita, porém, continuam a não conseguir capitalizar sobre a fragilidade de Flávio: Renan é o terceiro colocado geral, com 7,8%, seguido por Caiado, com 3,1%, e Zema, com 2,8%.

Ronaldo Caiado, apesar de sua robusta estrutura partidária, está tecnicamente empatado com Samara Martins (UP), da esquerda socialista.

Yuri Sanches chama a atenção para o fato de o ex-governador de Goiás parecer ter decidido se apresentar como integrante de uma direita “mais tradicional”, com críticas, por exemplo, a Flávio Bolsonaro e sua sequência de crises. Zema, por sua vez, ainda engatinha, tímido, em uma tentativa de se diferenciar do senador. “Isso faz com que eles não consigam ainda convencer o eleitor de que seriam uma alternativa melhor, especialmente para quem quer superar o PT no governo.”

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