Política

Famílias de militares gritam “Bolsonaro traidor” em sessão na Câmara

Parlamentares governistas votaram contra proposta do PSOL que beneficiaria soldados e militares da reserva

Famílias de militares gritam “Bolsonaro traidor” em sessão na Câmara
Famílias de militares gritam “Bolsonaro traidor” em sessão na Câmara
Comissão Especial analisou destaques da reforma da Previdência dos militares. (Foto: Claudio Andrade/Câmara dos Deputados)
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Aos gritos de “Bolsonaro traidor”, um tumulto resultou na suspensão de uma sessão da Comissão Especial da Câmara dos Deputados que analisa a reforma da Previdência dos militares, nesta terça-feira 29.

Praças, militares da reserva e parentes de militares se manifestaram após a votação do primeiro destaque do texto, que mudaria a tabela de gratificação por habilitação. Na regra atual, os valores variam entre 12% e 73%, enquanto, na proposta sugerida, impõe-se um valor único para militares de todos os níveis.

O destaque foi sugerido pelo PSOL e favoreceria os praças e militares da reserva. Porém, a proposta foi rejeitada por 18 votos a 10, com oposição dos próprios parlamentares governistas.

“Se vamos provocar despesas, que provoquemos despesas com igualdade”, argumentou o deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ). “Essa emenda corrige imperfeições, erros e equívocos que aumentam a diferença dentro do corpo das Forças Armadas. Votar contra é votar a favor desigualdade.”

Já o líder do governo na Câmara, deputado Major Vitor Hugo (PSL-RJ), alegou que o Estado teria que desembolsar cerca de 130 bilhões de reais para beneficiar os militares de baixa patente com um valor único de gratificação.

“O valor é de mais de 10% do que a gente pretendia economizar com a reforma da Previdência. Infelizmente, nesse momento, não temos condições de aprovar esse projeto. As Forças Armadas são instituições hierarquizadas”, disse o deputado.


Depois que o destaque foi rejeitado, a confusão começou. Uma eleitora do presidente Jair Bolsonaro (PSL) que era a favor da igualdade de gratificação para militares acusou o governo de traição.

“Eu fui às ruas, eu coordenei carreata para o senhor, eu gritei Bolsonaro 17 enquanto estavam debaixo dos seus ar-condicionados. E hoje, o senhor trai a tropa dessa maneira. O senhor, que cresceu em cima de nós, em cima dessa desgraça que foi a campanha das Forças Armadas. Agora o senhor nos trai, o senhor faz isso conosco, isso é um absurdo, dando benefício aos generais”, disse.

Em publicação nas redes sociais, o PSOL afirmou que recorrerá ao plenário para reverter a decisão do governo.

“Para privilegiar militares de alta patente, bolsonarismo abandonou praças e soldados e deixou seus familiares revoltados”, escreveu a sigla.

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