Política

Operação Lava Jato

Fachin nega prisão de Aécio, mas primo e irmã são detidos

por Redação — publicado 18/05/2017 13h05
Residências e gabinete do senador tucano foram alvo de busca e apreensão em ação da PF

O relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, negou o pedido de prisão do senador Aécio Neves (PSDB-MG), feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e só vai levar o caso ao plenário do Supremo caso a PGR entre com recurso. A informação é do site Jota.

A ação contra Aécio Neves, que é presidente do PSDB, segue sob segredo de justiça. No início desta quinta-feira 18, surgiu a informação de que Fachin não teria decidido sobre o pedido de prisão, tendo preferido encaminhar o caso ao plenário do STF. Fachin decidiu monocraticamente, entretanto, mas determinou o afastamento de Aécio de seu cargo de senador.

Na manhã desta quinta, as residências do senador em Brasília, no Rio de Janeiro, em Minas Gerais, além de seu gabinete no Congresso foram alvo de mandados de busca e apreensão autorizados por Fachin. A irmã do senador, Andréa Neves, e um de seus primos, Frederico Pacheco de Medeiros, foram presos pela Polícia Federal. Também foi preso na ação Mendherson Souza Lima, assessor do senador Zezé Perrella (PMDB-MG). 

A situação de Aécio dentro de seu partido é grave. Secretário-geral do PSDB, o deputado federal Silvio Torres (PSDB-SP) disse que o senador mineiro não terá condições de permanecer na presidência do partido. "Acho que ele próprio vai tomar essa decisão [de sair]. Não há outra alternativa. É inviável [a permanência de Aécio Neves no cargo de presidente], correndo risco de ser preso. Ele está bem consciente."

Fora do partido a situação de Aécio também é grave. "O Aécio sempre foi uma figura que aparentava ter algumas convicções sociais-democratas, liberais e até compromissos de transparência com a ordem democrática", disse o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ). "Agora isso se revelou, de maneira definitiva, como um grande embuste", afirmou.  

Além de Aécio, também são alvos desta operação os gabinetes de Perrela e do deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR). Este teria sido escolhido pelo presidente Michel Temer para intermediar uma negociação com a JBS, conglomerado pertencente aos irmãos Joesley e Wesley Batista.

Na quarta-feira 17, o jornal O Globo divulgou detalhes da delação de Joesley, que colocam a República em polvorosa. Nas gravações, Aécio aparece pedindo 2 milhões de reais ao empresário dizendo que que precisava do dinheiro para pagar despesas com sua defesa na Lava-Jato.

Segundo informações de O Globo, o diálogo gravado durou cerca de 30 minutos. O encontro entre Aécio e Joesley foi no 24 de março no Hotel Unique, em São Paulo e Aécio citou o nome de Alberto Toron como o criminalista que o defenderia. A menção ao advogado já havia sido feita pela irmã e braço-direito do senador, Andréa Neves. Foi ela a responsável pela primeira abordagem ao empresário, por telefone e via WhatsApp, mensagens que também estão com os procuradores.

O pedido de ajuda foi aceito e o empresário quis saber, então, quem seria o responsável por pegar as malas. A gravação mostra que Joesley sugere que se Aécio fosse retirar pessoalmente  dinheiro a entrega seria feira por ele mesmo, mas que se Aécio fosse mandar alguém de sua confiança, Joesley faria o mesmo.

Surpreendentemente a resposta de Aécio: "Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho", respondeu Aécio segundo o jornal. 

Ainda segundo O Globo, o presidente do PSDB indicou um primo, Frederico Pacheco de Medeiros, para receber o dinheiro. Fred, como é conhecido, foi diretor da Cemig, nomeado por Aécio, e um dos coordenadores de sua campanha a presidente em 2014. 

Quem levou o dinheiro a Fred foi, prossegue o jornal, o diretor de Relações Institucionais da JBS, Ricardo Saud, um dos sete delatores. Foram quatro entregas de 500 mil reais cada uma. A PF teria filmado uma delas.

Curiosamente, as investigações apontam, afirma O Globo, que o dinheiro não foi repassado a advogado algum. As filmagens da PF mostram, diz o jornal, que após receber o dinheiro, Fred repassou, ainda em São Paulo, as malas para Mendherson Souza Lima, secretário parlamentar do senador Zeze Perrella (PMDB-MG). 

Mendherson teria levado de carro o dinheiro para Belo Horizonte, em três viagens, seguidas pela PF. O assessor negociou para que os recursos fossem parar na Tapera Participações Empreendimentos Agropecuários, de Gustavo Perrella, filho de Zeze Perrella.