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Fachin aceita pedido de abertura de inquérito contra Temer

por Redação — publicado 18/05/2017 14h15, última modificação 18/05/2017 14h46
Com a abertura de inquérito, presidente passa a ser formalmente investigado. Temer responderá por suspeitas de obstrução à Justiça e corrupção.

Após as revelações do executivo da JBS Joesley Batista, a Procuradoria Geral da República (PGR) enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de abertura de inquérito para investigar o presidente Michel Temer por obstrução à Justiça e corrupção. Conforme informações veiculadas pela imprensa, Edson Fachin, do STF, acatou o pedido.

Na noite de quarta-feira 17 o jornal O Globo, em sua versão digital, revelou revelou que Temer foi gravado em um diálogo embaraçoso com Joesley Batista, dono da JBS.  

O peemedebista ouviu do empresário que estava dando ao deputado cassado Eduardo Cunha, atualmente preso em Curitiba, e ao operador Lúcio Funaro uma mesada na prisão para que ficassem calados. Diante da informação, diz a reportagem de O Globo, Temer incentivou: "Tem que manter isso viu". A informação foi confirmada pelo Jornal Nacional com investigadores da Lava Jato. A revelação pode arrasar com um governo já extremamente impopular. 

A gravação foi feita em 7 de março deste ano. Segundo a reportagem, Joesley foi ao Palácio do Jaburu, onde Temer o aguardava. No bolso, o empresário guardava um gravador. O devastador registro teria ocorrido logo após a comemoração dos 50 anos de carreira do jornalista Ricardo Noblat.

O presidente e o empresário teriam conversado por cerca de 40 minutos a sós. Joesley afirmou que não foi Temer quem determinou que a mesada fosse dada, mas tinha pleno conhecimento da operação abafa.

Durante a conversa, o empresário teria pedido ajuda ao peemedebista para resolver uma pendência da J&F, holding responsável pela JBS. Temer teria dito que Joesley deveria procurar Rodrigo Rocha Loures para cuidar do problema.

A relação de Loures com Temer foi revelada por CartaCapital no âmbito de outra investigação, referente à operação Carne Fraca. Dois denunciados no esquema de corrupção montado por frigoríficos e fiscais agropecuários citaram em uma conversa o deputado, à época assessor especial de Temer no Palácio do Planalto, como braço direito do peemdeebista. 

A mesada a Cunha e Funaro já era dada há alguns meses, afirma a reportagem. A Polícia Federal filmou pelo menos uma entrega de 400 mil reais para Funaro. Segundo Joesley, Cunha recebeu 5 milhões de reais após sua prisão, valor referente a um saldo de propina que o deputado cassado teria com ele. 

registrado em: Michel Temer, STF, Edson Fachin