Facebook recua e bloqueia perfis bolsonaristas fora do País

Decisão ocorre após o ministro do STF, Alexandre de Moraes, intimar o presidente da plataforma no Brasil e aumentar o valor da multa

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

Política

O Facebook decidiu bloquear perfis bolsonaristas fora do País. O recuo aconteceu após o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, intimar o presidente da plataforma no Brasil por não cumprir sua determinação.

Na sexta-feira 24, Moraes havia determinado a suspensão dos perfis no exterior após descobrir que contas como a de Sara Winter estavam ativas, por terem modificado a configuração de local. No mesmo dia, a bolsonarista fez publicações ofendendo o ministro.

Inicialmente, o Facebook decidiu não acatar a determinação, por entender que ela restringiria sua atuação fora do País e também por se tratar de uma determinação local. A plataforma decidiu recorrer ao STF e manter os perfis no ar durante o período de recurso.

Diante da postura, Moraes intimou o presidente do Facebook, Conrado Leister, e ampliou de R$ 20 mil para R$ 100 mil a multa diária pelo descumprimento. A empresa anunciou nova postura neste sábado 1.

 

À coluna Painel, da Folha de S. Paulo, o Facebook disse que “havia cumprido com a ordem de bloquear as contas no Brasil ao restringir a visualização das Páginas e Perfis a partir de endereços IP no país. Isso significa que pessoas com endereço IP no Brasil não conseguiam ver os conteúdos mesmo que os alvos da ordem judicial tivessem alterado sua localização IP”.

“A mais recente ordem judicial é extrema, representando riscos à liberdade de expressão fora da jurisdição brasileira e em conflito com leis e jurisdições ao redor do mundo. Devido à ameaça de responsabilização criminal de um funcionário do Facebook Brasil, não tivemos alternativa a não ser cumprir com a ordem de bloqueio global das contas enquanto recorremos ao STF”, completou.

O Twitter, que também tirou os perfis do ar internacionalmente, classificou a ordem do ministro como “desproporcional sob a ótica da liberdade de expressão” e disse que vai recorrer ao STF.

Tiveram suas contas suspensas nas redes sociais o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB), Sara Giromini (conhecida como Sara Winter), o blogueiro Allan dos Santos e os empresários Luciano Hang (da Havan) e Edgard Corona (das academias Smart Fit), alvos de investigação no âmbito do inquérito das fake news.

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