EDITORIAS
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Justiça
  • Mundo
  • Diversidade
  • Cultura
  • Educação
  • Esporte
  • Saúde
  • Tecnologia
BLOGS
  • 32xSP
  • 3ª Turma
  • A Redoma de Livros
  • Blog do Sócio
  • BrCidades
  • Brasil Debate
  • Change.org
  • Conjunturando
  • Diálogos da Fé
  • Fashion Revolution
  • Guia Negro
  • Hempadão
  • House of Mãe Joana
  • Intervozes
  • Observa Mundo
  • Sampapé
  • Saúde LGBT+
  • Sororidade em Pauta
  • Venes
PARCEIROS
  • Biblioo
  • Chuteira FC
  • Cinema em Cena
  • Farofafá
  • Mídia 4P
  • Negro Belchior
  • Politike
  • Uma Casca de Noz
#SÓCIOCARTA
  • Seja Sócio
  • Vantagens
  • Blog do Sócio
  • Área Exclusiva
  • Atendimento
  • Aplicativo iOS
  • Aplicativo Android
EVENTOS
  • Diálogos Capitais
MENU
logotipo Logotipo escuro Logotipo claro Logotipo transparente
SEJA SÓCIO
LOGIN
ACERVO
CartaCapital Nº 1108
  • Política
    • Últimas
      Abin entregou relatórios sobre importância da quarentena para Bolsonaro
      Grupo considerado paramilitar faz protesto contra STF e usa símbolos supremacistas
      Após protestos contra palestra, Moro diz ter sofrido “censura” de argentinos
      Bolsonaro volta a provocar aglomerações ao ir em lanchonete
  • Economia
    • Últimas
      PIB retrai 1,5% no 1º trimestre já com impactos do coronavírus, diz IBGE
      Câmara aprova texto base de MP que permite redução de salários e jornadas na pandemia
      Primeira parcela do auxílio emergencial ainda não chegou a 1/3 dos solicitantes, aponta Datafolha
      Taxa de desemprego sobe e atinge 12,8 milhões de pessoas, diz IBGE
  • Sociedade
    • Últimas
      PM dispersa manifestação pró-democracia com bombas de gás na Paulista
      Torcida organizada faz ato aos gritos de “democracia” na Avenida Paulista
      “Like no Facebook e conta verificada no Instagram não põem arroz na mesa”
      Mães menores de idade já podem pedir auxílio emergencial, diz Caixa
  • Justiça
    • Últimas
      Um dos ‘culpados’ pela eleição de Bolsonaro, STF agora tenta redimir-se
      Justiça derruba decreto de Crivella que liberou cultos religiosos
      ‘Bom Prato’ gratuito a moradores em situação de rua é aprovado em SP
      A pedagogia da prosperidade para concurseiros produz ilusões
  • Mundo
    • Últimas
      Trump diz que classificará movimento antifascista como “terrorista” nos EUA
      EUA vivem ebulição com 5º dia de protestos pedindo justiça por George Floyd
      Protestos por morte de George Floyd aumentam nos EUA mesmo após prisão de policial
      Trump anuncia rompimento de relações dos EUA com a OMS
  • Diversidade
    • Últimas
      Costa Rica é primeiro país da América Central a legalizar casamento LGBT
      Dia de Luta contra a Homofobia: “Meus pais me expulsaram porque sou gay”
      Há 30 anos, OMS retirava homossexualidade da lista de doenças
      LGBTs europeus convivem com o medo, mostra estudo
  • Educação
    • Educação
      Especiais
      Carta Explica
      Opinião
      Agenda
      Temas de Aula
      Weintraub rebate entidades judaicas: “Tenho direito de falar do holocausto”
      Weintraub compara ações da PF no inquérito de fake news a perseguições nazistas
      Inscrições para o Enem são prorrogadas até o dia 27 de maio
      No Maranhão, literatura periférica é ferramenta de formação a professores
      |
      No Maranhão, centro cultural forma professores e estudantes em cultura negra
      |
      Estação Conhecimento: a metodologia “Soletrando” como apoio à alfabetização
      Quem é Chico Mendes?
      O que muda com a flexibilização da posse de armas?
      O Brasil é um país socialista?
      Em defesa da vida, contra a volta imediata das aulas!
      Não adianta, a gente não consegue mudar de assunto
      A pedagogia da prosperidade para concurseiros produz ilusões
      Em roda de conversa gratuita, professores debatem militarização das escolas
      Em evento gratuito, UFABC reúne pesquisadores para debater o Future-se
      Mostra gratuita aborda a relação do brincar com a identidade das crianças
      Ex-ministros alertam para colapso da área da ciência sob Bolsonaro
      Os pronomes e a revolta contra o Estado
      |
      Cuba: o que é a revolução hoje
  • Opinião
      • Alberto Villas
      • Augusto Diniz
      • Carlos Drummond
      • Delfim Netto
      • Felipe Milanez
      • Guilherme Boulos
      • Henry Bugalho
      • João Sicsú
      • Luiz Gonzaga Belluzzo
      • Marcos Coimbra
      • Milton Rondó
      • Mino Carta
      • Paulo Nogueira Batista Jr.
      • Pedro Estevam Serrano
      • Pedro Paulo Zahluth Barros
      • Riad Younes
      • Roberto Amaral
      • Rui Daher
      • Sergio Lirio
      • Walfrido Warde Jr
  • Blogs
      • 32xSP
      • 3ª Turma
      • A Redoma de Livros
      • Blog do Sócio
      • Brasil Debate
      • BrCidades
      • Change.org
      • Conjunturando
      • Diálogos da Fé
      • Fashion Revolution
      • Guia Negro
      • Hempadão
      • House of Mãe Joana
      • Intervozes
      • Observa Mundo
      • Sampapé
      • Saúde LGBT+
      • Sororidade em Pauta
      • Venes
  • Mais
    • Mais Editorias
      Cultura
      Esporte
      Saúde
      Tecnologia
      Parceiros
      Todos
      Câmara aprova ajuda de R$ 3 bilhões ao setor cultural
      Daniela Mercury: “O Brasil está sem liderança”
      Mestres do maracatu fazem lives e campanhas para ajudar os folgazões
      Olimpíada pode ser cancelada se pandemia não for controlada, diz Bach
      Futebol na pandemia? Retorno a treinos nos clubes divide países europeus
      Juiz paraguaio concede prisão domiciliar a Ronaldinho Gaúcho
      “Like no Facebook e conta verificada no Instagram não põem arroz na mesa”
      Brasil bate 500 mil casos de coronavírus e ultrapassa Espanha em mortes
      Bolsonaro volta a provocar aglomerações ao ir em lanchonete
      Riscos à democracia: Google e o controle da informação
      Laboratório de universidade federal desenvolve teste rápido para covid-19
      Fake news sobre covid-19 leva a incêndio de antenas 5G no Reino Unido
      “Um governo visionário distribuiria máscaras nas favelas”, diz infectologista italiano
      Coronavírus: é discriminatório alocar leitos de UTI e ventiladores por idade
      COVID-19, problemas de informação e vigilância digital
      Trump diz que classificará movimento antifascista como “terrorista” nos EUA
      PM dispersa manifestação pró-democracia com bombas de gás na Paulista
      Torcida organizada faz ato aos gritos de “democracia” na Avenida Paulista
logotipo
  • Política
    • Últimas
      Abin entregou relatórios sobre importância da quarentena para Bolsonaro
      Grupo considerado paramilitar faz protesto contra STF e usa símbolos supremacistas
      Após protestos contra palestra, Moro diz ter sofrido “censura” de argentinos
      Bolsonaro volta a provocar aglomerações ao ir em lanchonete
  • Economia
    • Últimas
      PIB retrai 1,5% no 1º trimestre já com impactos do coronavírus, diz IBGE
      Câmara aprova texto base de MP que permite redução de salários e jornadas na pandemia
      Primeira parcela do auxílio emergencial ainda não chegou a 1/3 dos solicitantes, aponta Datafolha
      Taxa de desemprego sobe e atinge 12,8 milhões de pessoas, diz IBGE
  • Sociedade
    • Últimas
      PM dispersa manifestação pró-democracia com bombas de gás na Paulista
      Torcida organizada faz ato aos gritos de “democracia” na Avenida Paulista
      “Like no Facebook e conta verificada no Instagram não põem arroz na mesa”
      Mães menores de idade já podem pedir auxílio emergencial, diz Caixa
  • Justiça
    • Últimas
      Um dos ‘culpados’ pela eleição de Bolsonaro, STF agora tenta redimir-se
      Justiça derruba decreto de Crivella que liberou cultos religiosos
      ‘Bom Prato’ gratuito a moradores em situação de rua é aprovado em SP
      A pedagogia da prosperidade para concurseiros produz ilusões
  • Mundo
    • Últimas
      Trump diz que classificará movimento antifascista como “terrorista” nos EUA
      EUA vivem ebulição com 5º dia de protestos pedindo justiça por George Floyd
      Protestos por morte de George Floyd aumentam nos EUA mesmo após prisão de policial
      Trump anuncia rompimento de relações dos EUA com a OMS
  • Diversidade
    • Últimas
      Costa Rica é primeiro país da América Central a legalizar casamento LGBT
      Dia de Luta contra a Homofobia: “Meus pais me expulsaram porque sou gay”
      Há 30 anos, OMS retirava homossexualidade da lista de doenças
      LGBTs europeus convivem com o medo, mostra estudo
  • Educação
    • Educação
      Especiais
      Carta Explica
      Opinião
      Agenda
      Temas de Aula
      Weintraub rebate entidades judaicas: “Tenho direito de falar do holocausto”
      Weintraub compara ações da PF no inquérito de fake news a perseguições nazistas
      Inscrições para o Enem são prorrogadas até o dia 27 de maio
      No Maranhão, literatura periférica é ferramenta de formação a professores
      |
      No Maranhão, centro cultural forma professores e estudantes em cultura negra
      |
      Estação Conhecimento: a metodologia “Soletrando” como apoio à alfabetização
      Quem é Chico Mendes?
      O que muda com a flexibilização da posse de armas?
      O Brasil é um país socialista?
      Em defesa da vida, contra a volta imediata das aulas!
      Não adianta, a gente não consegue mudar de assunto
      A pedagogia da prosperidade para concurseiros produz ilusões
      Em roda de conversa gratuita, professores debatem militarização das escolas
      Em evento gratuito, UFABC reúne pesquisadores para debater o Future-se
      Mostra gratuita aborda a relação do brincar com a identidade das crianças
      Ex-ministros alertam para colapso da área da ciência sob Bolsonaro
      Os pronomes e a revolta contra o Estado
      |
      Cuba: o que é a revolução hoje
  • Opinião
      • Alberto Villas
      • Augusto Diniz
      • Carlos Drummond
      • Delfim Netto
      • Felipe Milanez
      • Guilherme Boulos
      • Henry Bugalho
      • João Sicsú
      • Luiz Gonzaga Belluzzo
      • Marcos Coimbra
      • Milton Rondó
      • Mino Carta
      • Paulo Nogueira Batista Jr.
      • Pedro Estevam Serrano
      • Pedro Paulo Zahluth Barros
      • Riad Younes
      • Roberto Amaral
      • Rui Daher
      • Sergio Lirio
      • Walfrido Warde Jr
  • Blogs
      • 32xSP
      • 3ª Turma
      • A Redoma de Livros
      • Blog do Sócio
      • Brasil Debate
      • BrCidades
      • Change.org
      • Conjunturando
      • Diálogos da Fé
      • Fashion Revolution
      • Guia Negro
      • Hempadão
      • House of Mãe Joana
      • Intervozes
      • Observa Mundo
      • Sampapé
      • Saúde LGBT+
      • Sororidade em Pauta
      • Venes
  • Mais
    • Mais Editorias
      Cultura
      Esporte
      Saúde
      Tecnologia
      Parceiros
      Todos
      Câmara aprova ajuda de R$ 3 bilhões ao setor cultural
      Daniela Mercury: “O Brasil está sem liderança”
      Mestres do maracatu fazem lives e campanhas para ajudar os folgazões
      Olimpíada pode ser cancelada se pandemia não for controlada, diz Bach
      Futebol na pandemia? Retorno a treinos nos clubes divide países europeus
      Juiz paraguaio concede prisão domiciliar a Ronaldinho Gaúcho
      “Like no Facebook e conta verificada no Instagram não põem arroz na mesa”
      Brasil bate 500 mil casos de coronavírus e ultrapassa Espanha em mortes
      Bolsonaro volta a provocar aglomerações ao ir em lanchonete
      Riscos à democracia: Google e o controle da informação
      Laboratório de universidade federal desenvolve teste rápido para covid-19
      Fake news sobre covid-19 leva a incêndio de antenas 5G no Reino Unido
      “Um governo visionário distribuiria máscaras nas favelas”, diz infectologista italiano
      Coronavírus: é discriminatório alocar leitos de UTI e ventiladores por idade
      COVID-19, problemas de informação e vigilância digital
      Trump diz que classificará movimento antifascista como “terrorista” nos EUA
      PM dispersa manifestação pró-democracia com bombas de gás na Paulista
      Torcida organizada faz ato aos gritos de “democracia” na Avenida Paulista
logotipo para celular
  • Política
    • Últimas
  • Economia
    • Últimas
  • Sociedade
    • Últimas
  • Justiça
    • Últimas
  • Mundo
    • Últimas
  • Diversidade
    • Últimas
  • Educação
  • Opinião
      • Alberto Villas
      • Augusto Diniz
      • Carlos Drummond
      • Delfim Netto
      • Felipe Milanez
      • Guilherme Boulos
      • Henry Bugalho
      • João Sicsú
      • Luiz Gonzaga Belluzzo
      • Marcos Coimbra
      • Milton Rondó
      • Mino Carta
      • Paulo Nogueira Batista Jr.
      • Pedro Estevam Serrano
      • Pedro Paulo Zahluth Barros
      • Riad Younes
      • Roberto Amaral
      • Rui Daher
      • Sergio Lirio
      • Walfrido Warde Jr
  • Blogs
      • 32xSP
      • 3ª Turma
      • A Redoma de Livros
      • Blog do Sócio
      • Brasil Debate
      • BrCidades
      • Change.org
      • Conjunturando
      • Diálogos da Fé
      • Fashion Revolution
      • Guia Negro
      • Hempadão
      • House of Mãe Joana
      • Intervozes
      • Observa Mundo
      • Sampapé
      • Saúde LGBT+
      • Sororidade em Pauta
      • Venes
  • Mais
    • Mais Editorias
Política

Fabio Wajngarten, o bolsonarista escalado para intimidar a imprensa

Sergio Lirio
Sergio Lirio Rodrigo Martins
14 de outubro de 2019
Foto: Marcelo Camargo/ABR

Foto: Marcelo Camargo/ABR

Chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República notabiliza-se por reclamar de jornalistas e pedir cabeças nas redações

A crise no laranjal do PSL, além de reforçar as suspeitas sobre as ilegalidades eleitorais de Jair Bolsonaro e ameaçar de implosão o partido de aluguel, serviu para jogar luz sobre uma figura influente nos bastidores do governo. De carreira inexpressiva no mercado publicitário paulista, Fabio Wajngarten, de 43 anos, foi premiado com o comando da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República pelo empenho na campanha do ex-capitão. A maneira entusiasmada e ligeira com que aderiu ao bolsonarismo não só lhe garantiu o controle de uma verba estimada em 450 milhões de reais como o papel de principal negociador com os meios de comunicação e de censor do Palácio do Planalto. Em nove meses, Wajngarten notabilizou-se por reclamar de jornalistas críticos e pedir cabeças nas redações.

Em geral, o publicitário costumava ligar diretamente para os barões da mídia para reclamar. A reportagem da Folha de S.Paulo sobre as denúncias de caixa 2 na campanha presidencial de Bolsonaro o obrigou, no entanto, a sair da sombra. Ao ecoar declarações do chefe, que acusou o jornal paulistano de descer “ao esgoto” e ter se tornado “um panfleto ordinário à causa dos canalhas”, o administrador das verbas publicitárias do governo acusou a mídia de espalhar fake news e sugeriu um boicote do setor privado. Os anunciantes, escreveu Wajngarten em uma rede social, deveriam ter a “consciência de analisar cada um dos veículos de comunicação para não se associarem a eles”.

Em nota conjunta, a Associação Nacional dos Editores de Revistas e a Associação Nacional de Jornais lamentaram a “visão distorcida do secretário”. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, Daniel Bramatti, o episódio “se insere em um contexto de sistemáticos ataques ao jornalismo vindos do presidente e de seus aliados”. A Associação Brasileira de Imprensa, por sua vez, considera “inaceitável que uma autoridade pública defenda critérios não republicanos para a veiculação de publicidade”.

➤ Leia também:
  • Doria é vaiado e Bolsonaro recebe aplausos em evento da PM em SP
  • Bolsonaro convida empresários para visitarem a Amazônia: "não serão queimados"
  • EUA rejeitam entrada do Brasil na OCDE, diz emissora americana
 

Não é a primeira vez que Wajngarten demonstra suas aptidões de censor. Em junho, insatisfeito com uma nota publicada pelo colunista Guilherme Amado, da revista Época, o secretário sugeriu aos anunciantes que “revejam investimentos” no Grupo Globo, dono da publicação. No fim de julho, envolveu-se em um bate-boca com Fabio Pannunzio, ex-funcionário da Band. Ao comentar uma publicação de Wajngarten no Twitter, o jornalista fez um alerta aos colegas: “Tenham cuidado com esse cara. Os tuítes críticos ao governo que ele intercepta vão parar no WhatsApp do seu chefe. Ele é quem fica instigando os diretores de redação contra os seus subordinados por conta de posições nas redes sociais. E não apenas eles”. No início de setembro, Pannunzio voltou à carga, chamando o chefe da Secom de “dedo-duro”, “vil” e “covarde”. Dois dias depois, o jornalista anunciou a sua saída da emissora, na qual trabalhou por mais de 20 anos.

Negou, porém, que a demissão tivesse relação com a troca de farpas pelas redes sociais. A decisão, diz, havia sido tomada um mês antes.

Wajngarten é apontado ainda como o mentor de uma iniciativa destinada a asfixiar financeiramente publicações em papel. Em agosto, Bolsonaro editou uma Medida Provisória que desobriga empresas de capital aberto a publicar balanços financeiros em jornais. Ao anunciar a mudança, o presidente estimou que as publicações perderiam cerca de 900 mil reais por ano e fez questão de mencionar especificamente um diário que pertence à Globo: “Espero que o Valor Econômico sobreviva”.

Escudeiro. Com acesso privilegiado ao inquérito, Moro saiu em defesa de Bolsonaro (Foto: Evaristo Sa/AFP)

Não foi uma citação gratuita. Bolsonaro considera a família Marinho uma adversária, embora a Globo continue a apoiar acriticamente a Lava Jato, o ministro Sérgio Moro e as medidas econômicas de Paulo Guedes. Sob Wajngarten, cresceram os repasses publicitários a dois concorrentes da emissora, o SBT e a Record, porta-vozes do bolsonarismo na tevê aberta. A escolha do secretário de Comunicação, aliás, não poderia ter sido mais eloquente. Wajngarten capitaneou a frustrada experiência da alemã GfK pelo mercado brasileiro. Estimulada justamente pelo SBT e a Record, a chegada da multinacional tinha o objetivo de criar uma concorrência para o Ibope na aferição da audiência, considerado um aliado da Globo (a medição é fundamental para a conquista de anunciantes e o faturamento das emissoras). A GfK atuou no segmento por dois anos, foi incapaz de fazer sombra ao Ibope e acabou processada pelos novos clientes. Apesar do fracasso, Wajngarten sobreviveu à iniciativa e manteve uma empresa de análise da concorrência no setor de mídia. 

Advogado de formação, pós-graduado em Marketing de Serviços pela ESPM, o empresário tornou-se também um especialista em ONGs. A Cucumber, agência comandada por sua mulher, Sophie, tirou do papel um projeto ambicioso do bilionário Eli Horn, fundador da construtora Cyrella. O Instituto Liberta combate a exploração sexual de crianças e adolescentes e será abastecido com quase 80% da fortuna de Horn. Administrada por Luciana Temer, filha do ex-presidente Michel Temer, a organização congrega vários e poderosos apoiadores, entre eles diversos meios de comunicação.

No controle de uma verba de 450 milhões de reais, o chefe da Secom prega o boicote aos veículos que desagradam ao governo

As atividades passadas e futuras de Wajngarten não passam despercebidas por Brasília e pelo poder econômico. Há quem desconfie que a arrecadação de dinheiro para “causas nobres” como do Instituto Liberta possam, em alguma medida, ter alimentado a fábrica de mentiras que distorceram as eleições presidenciais. Há dois caminhos de investigação: a CPI das Fake News em curso no Congresso e o inquérito no Supremo Tribunal Federal que persegue os mesmos objetivos dos parlamentares.

Então diretor da filial brasileira da Hadassah, rede judaica de assistência à saúde com presença em mais de 25 países, Wajngarten convenceu Bolsonaro a se operar da facada em Juiz Fora no Hospital Albert Einstein, e não no Sírio Libanês. Também providenciou uma UTI aérea para transportar o então candidato de Minas Gerais a São Paulo. Especialista em redes sociais, o publicitário estreitou os laços com o presidente em 2016. Desde então, trabalha para aproximar o ex-capitão de empresários, sobretudo os milionários da comunidade judaica. Em agosto de 2018, organizou um café da manhã do então candidato com cerca de 60 endinheirados na capital paulista. Entre os convivas, figurava Meyer Nigri, da construtora Tecnisa.

Fachada do TSE (Foto: Roberto Jayme/Ascom/TSE)

Como CartaCapital revelou na edição 1052, a origem judaica de Wajngarten pode ter facilitado a montagem de redes de robôs na internet e no WhatsApp para influenciar as eleições. Ao repórter André Barrocal, uma ex-autoridade do governo Temer na seara internacional jura que o atual chefe da Secom e o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, têm relações com empresas de tecnologia e espionagem de Israel, e elas teriam dado suporte à campanha de 2018.

Os israelenses têm know-how na área. Em outubro do ano passado, The New York Times noticiou que um integrante do alto escalão da campanha de Donald Trump em 2016 solicitou uma proposta comercial à Psy Group, formada por espiões israelenses aposentados. Em troca de 3 milhões de dólares, a empresa se dispôs a criar identidades online falsas, manipular o engajamento nas redes sociais e a reunir informações contra adversários. O serviço não foi contratado, mas a negociação foi descoberta pelo procurador especial Robert Mueller, episódio que reforça as suspeitas contra o presidente dos EUA, ídolo de Bolsonaro e alvo de um processo de impeachment.

Uma revelação feita por Ben Supple, gerente de políticas públicas do WhatsApp, deve dar novo fôlego à CPI das Fake News. “Na eleição brasileira do ano passado houve a atuação de empresas fornecedoras de envios massivos de mensagens que violaram nossos termos de uso para atingir um grande número de usuários”, admitiu o executivo em recente palestra. No ano passado, uma série de reportagens da Folha revelou que empresários bolsonaristas financiaram o disparo em massa pelo aplicativo de notícias falsas contra Fernando Haddad, do PT. Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral estão sentados sobre o inquérito.

As obtusas relações de Wajngarten com ONGs alimentam suspeitas em Brasília

O laranjal permanece, no entanto, como uma espada sobre a cabeça de Bolsonaro. À Polícia Federal o ex-assessor parlamentar Haissander Souza de Paula disse que parte dos recursos para candidaturas femininas do PSL em Minas Gerais foi desviada para custear material da campanha presidencial e do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, denunciado pelo Ministério Público por falsidade ideológica eleitoral, apropriação indébita de recurso eleitoral e associação criminosa na sexta-feira 4. O depoimento cita a existência de uma planilha, “MarceloAlvaro.xlsx”, com gastos atribuídos à campanha de Bolsonaro e identificados pela expressão “out”, o popular “por fora”, também conhecido como “caixa 2”.

Quando era juiz, Sérgio Moro teria se escandalizado com a revelação. Os tempos mudaram. O ministro Moro foi um dos primeiros a saírem em defesa do chefe. “O presidente Jair Bolsonaro fez a campanha presidencial mais barata da história. Manchete da Folha de hoje não reflete a realidade. Nem o delegado nem o Ministério Público, que atuam com independência, viram algo contra o presidente da República neste inquérito de Minas. Estes são os fatos”, escreveu no Twitter, em mais uma demonstração de que tem acesso privilegiado e inapropriado à investigação da Polícia Federal. Apesar de subordinada ao ministério, a corporação tem o dever de exercitar autonomia funcional.

Ameaça. Se ficar comprovado que Bolsonaro se beneficou das candidaturas laranja do PSL, a sua chapa pode ser cassada. O ministro Marcelo Álvaro foi denunciado pelo MP de Minas Gerais (Foto: Roberto Castro/Mtur)

A legislação exige que ao menos 30% dos candidatos lançados em cada partido sejam mulheres, mas o PSL de Minas lançou “candidaturas laranja”, fictícias, além de desviar recursos reservados a elas. Em setembro, o TSE decidiu que a trapaça é motivo para cassação de toda a chapa. O tribunal chegou ao entendimento ao analisar o caso de cinco candidatas que concorreram à Câmara Municipal de Valença do Piauí, mas tiveram votação inexpressiva e não praticaram atos de campanha. Teria coragem de manter a posição se restar comprovado o benefício a Bolsonaro?

Não por acaso, o ex-capitão busca descolar-se do PSL e atua para deixar a legenda que o abrigou durante a campanha. Na terça-feira 8, ao cumprimentar um apoiador na porta do Palácio do Planalto, passou por uma constrangedora situação. O homem iniciou a gravação de um vídeo e anunciou com pompa: “Eu, Bolsonaro e Bivar, juntos por um novo Recife”. O presidente não escondeu a contrariedade. “Oh, cara, não divulga isso não. O cara está queimado pra caramba lá. Vai queimar meu filme também. Esquece esse cara, esquece o partido”.

A ingratidão pode custar caro. As declarações causaram revolta no partido, dono de uma das maiores bancadas do Congresso. O líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir, não poupou Bolsonaro: “Como você fala do quintal alheio se o seu quintal está sujo? As candidaturas em Minas Gerais e Pernambuco estão sendo investigadas. Mas o filho do presidente também”. Outros filiados lembraram das transações suspeitas do motorista Fabrício Queiroz. A provável saída do presidente tende a provocar uma debandada da sigla, que receberia a maior parte do fundo partidário nas eleições de 2020. A mágoa é péssima conselheira. Aí mora o perigo para quem está habituado a abandonar antigos aliados pelo caminho.

Muito obrigado por ter chegado até aqui...


... Mas não se vá ainda. Ajude-nos a manter de pé o trabalho de CartaCapital.


O jornalismo vigia a fronteira entre a civilização e a barbárie. Fiscaliza o poder em todas as suas dimensões. Está a serviço da democracia e da diversidade de opinião, contra a escuridão do autoritarismo do pensamento único, da ignorância e da brutalidade. Há 25 anos CartaCapital exercita o espírito crítico, fiel à verdade factual, atenta ao compromisso de fiscalizar o poder onde quer que ele se manifeste.


Nunca antes o jornalismo se fez tão necessário e nunca dependeu tanto da contribuição de cada um dos leitores. Seja Sócio CartaCapital, assine, contribua com um veículo dedicado a produzir diariamente uma informação de qualidade, profunda e analítica. A democracia agradece.


ASSINE  ou, se preferir, Apoie a Carta.

Post Tags
Caixa 2Fabio WajngartenGoverno BolsonaroPSL
Compartilhar postagem
Sergio Lirio
Sergio Lirio

É redator-chefe da revista CartaCapital.

Rodrigo Martins
Rodrigo Martins

Editor de CartaCapital

Posts que você também pode gostar

Carta Capital

  • Editora Confiança
  • CartaCapital
  • Carta Educação
  • Diálogos Capitais
  • CartaCapital
  • Expediente
  • Política de Privacidade e Cookies
  • Termos de Uso
  • Media Kit
  • Apoie a Carta
  • #SócioCarta
  • Seja Sócio
  • Conheça o Projeto
  • Central de Atendimento